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Ministérios condenam absolvição de homem que estuprou menina de 12 anos em MG

Ministérios condenam absolvição de homem que estuprou menina de 12 anos em MG

Numa decisão que gerou forte repercussão, a 9ª Câmara Criminal do TJ de Minas Gerais absolveu por maioria de votos um homem de 35 anos, condenado pelo estupro de uma menina de 12 anos. O caso ocorreu na cidade de Indianópolis, no Triângulo Mineiro, onde o homem e a vítima viviam juntos como um casal.

Após a decisão, os ministérios dos Direitos Humanos, da Cidadania e das Mulheres emitiram uma nota conjunta condenando a absolvição. O homem deixou o sistema prisional em 13 de fevereiro deste ano, após a concessão de alvará de soltura pela Justiça, conforme informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Reações e Providências

Os ministérios enfatizaram que o Brasil adota a lógica da proteção integral de crianças e adolescentes, conforme a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Eles alertaram que a anuência familiar não deve ser usada para relativizar violações, especialmente em casos de violência sexual.

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) apresentou uma denúncia ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que já abriu uma investigação para apurar a decisão do TJ de Minas. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também anunciou que irá adotar as providências processuais cabíveis, reafirmando a presunção de vulnerabilidade para crianças e adolescentes com menos de 14 anos.

Dados Alarmantes

Em 2022, mais de 34 mil crianças de 10 a 14 anos estavam em uniões conjugais no Brasil, sendo a maioria meninas, pretas ou pardas, concentradas em regiões historicamente vulneráveis. Os ministérios repudiam o casamento infantil, considerado uma grave violação de direitos humanos.

A decisão da 9ª Câmara Criminal foi baseada na argumentação de que o relacionamento entre o réu e a vítima era consensual, o que gerou críticas e indignação por parte de diversas instituições. O MPMG e a Defensoria Pública de Minas Gerais ressaltaram a importância de proteger a dignidade sexual das crianças, afirmando que o consentimento da vítima não pode ser utilizado como justificativa para a prática de crimes.

Opinião

A absolvição deste caso reflete uma falha grave na proteção dos direitos das crianças no Brasil, evidenciando a necessidade urgente de uma revisão nas interpretações legais que possam comprometer a integridade de vítimas de violência sexual.