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Universidade Federal de Pernambuco revela impacto do ruído em peixes e recifes

Universidade Federal de Pernambuco revela impacto do ruído em peixes e recifes

Um estudo realizado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado em 20 de novembro de 2023, revela que o ruído de motores de embarcações e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, impactando negativamente sua alimentação, reprodução e defesa de território.

A pesquisa, divulgada na revista científica Neotropical Ichthyology, foi conduzida em praias turísticas de Pernambuco, especificamente em Carneiros e Tamandaré, onde 80 horas de dados acústicos foram coletados. Os pesquisadores identificaram entre 18 a 23 espécies de peixes e observaram que três tipos de sons deixaram de ser emitidos em áreas com maior presença de ruído humano.

Impactos da poluição sonora

O estudo destaca que a poluição sonora não só encobre os sons emitidos pelos peixes, mas também representa um risco para a saúde dos recifes de corais. O autor do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, afirma que a análise mostrou uma clara redução na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes, especialmente onde havia maior ruído causado pela ação humana.

Os peixes utilizam sons para comunicação durante comportamentos essenciais, como reprodução e defesa de território. A interrupção dessa comunicação pode ter consequências diretas na sobrevivência das espécies.

Monitoramento e resultados

Os pesquisadores monitoraram os ruídos produzidos por atividades humanas, como motores de embarcações e movimentação de banhistas, em pontos estratégicos nas praias. O sistema de gravação subaquática permitiu a captura contínua de sons durante dez horas diárias, revelando que a poluição sonora também reduziu a complexidade acústica dos ambientes estudados.

Os resultados indicam que o fenômeno de mascaramento acústico dificulta a detecção dos sons dos peixes, levando a uma supressão de vocalizações e, consequentemente, a um impacto nos serviços ecossistêmicos que os recifes oferecem.

Urgência em estabelecer limites

Túlio Xavier ressalta que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais. Ele argumenta que é fundamental avançar nesse campo e que o conhecimento gerado deve ser compartilhado com gestores e comunidades locais para influenciar políticas públicas de conservação.

O especialista acredita que turismo e conservação podem coexistir, mas destaca a importância de considerar o componente acústico no planejamento das atividades. Medidas simples, como organizar rotas de embarcações e evitar a concentração excessiva de atividades, podem ajudar a mitigar os impactos sonoros.

Opinião

A pesquisa da UFPE é um alerta sobre a necessidade de integrar a conservação ambiental e o turismo, promovendo práticas que respeitem a saúde dos ecossistemas marinhos.