A um mês das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma mudança nos critérios de avaliação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para declarar que a fila de espera foi zerada. Essa é uma das principais promessas de campanha de 2022, e o indicador de espera chegou a bater recordes durante o mandato.
Apesar do anúncio, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, e o secretário-executivo da pasta, Felipe Cavalcante, admitiram que ainda há 224 mil pessoas aguardando perícias há mais de 45 dias, classificando esse grupo como “residual”. Queiroz explicou que essa fila se transformou em um resíduo, composto por casos mais complexos.
Mudança de conceito: de ‘fila’ para ‘fluxo’
O ministro afirmou que, quando a capacidade de atendimento supera a entrada de novos requerimentos, a fila deixa de existir formalmente. Ele comparou a situação a uma loja que tem mais vendedores do que clientes: “Estamos numa situação parecida com uma loja que tem 12 vendedores e entram 8 clientes. Estamos com folga no atendimento, por maior que seja a demanda”.
Até junho, o próprio site do INSS definia como “fila” o conjunto de pedidos que aguardavam apreciação há mais de 45 dias. A meta do governo era solucionar o problema até o fim de setembro de 2026, visando evitar desgastes políticos com a oposição.
Evolução dos números
O INSS recebe cerca de 1,3 milhão de solicitações por mês, o que equivale a aproximadamente 43 mil por dia. Em fevereiro, 3,12 milhões de pessoas aguardavam na fila, enquanto 1,17 milhão de novos pedidos foram abertos. Em julho, o total de esperas caiu para 1,547 milhão, e em agosto, o volume de novos pedidos superou a quantidade de pessoas aguardando atendimento.
Casos pendentes e contradições
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o objetivo é “humanizar a fila”, garantindo que as pessoas tenham o tempo correto para dar entrada, esperar e receber seu benefício. Questionado sobre a alteração metodológica para declarar a fila zerada, Queiroz negou qualquer manipulação, afirmando que não houve mudança de critério: “Estamos apreciando, analisando pedidos como nunca analisamos, e estamos concedendo benefícios como nunca concedemos. São números reais”.
Opinião
A mudança de critérios do INSS levanta questões sobre a transparência e a eficácia das políticas públicas, especialmente em um ano eleitoral.





