O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou uma pesquisa que revela por que tantas gestantes brasileiras optam por cesarianas em vez de partos normais. O estudo mostra que essa não é uma escolha individual, mas sim resultado de fatores sociais e estruturais.
Atualmente, mais de 60% dos nascimentos no Brasil são cesarianas, com a proporção se aproximando de 90% na rede privada de saúde. Em São Paulo, 56,19% dos nascimentos foram por cesariana em 2024, enquanto em Belém, essa taxa chega a 69,28%. O estudo, que ouviu 94 gestantes e 37 profissionais de saúde em São Paulo e Belém, revela que sete em cada dez gestantes desejavam parto normal no início da gravidez.
Fatores que Influenciam a Decisão
O Unicef identificou que fatores sociais e econômicos influenciam a escolha do tipo de parto. Embora muitas mulheres queiram ter um parto normal, a violência obstétrica e a falta de informação muitas vezes as empurram para a cesariana. A especialista em Saúde e Nutrição do Unicef, Stephanie Amaral, destaca que as experiências de outras mulheres, como mães e avós, moldam a percepção sobre o parto.
Além disso, a acessibilidade à analgesia é um fator crítico. No Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso à analgesia é restrito, enquanto na rede privada, ela é amplamente disponível. Isso gera uma diferença significativa na experiência do parto entre as mulheres que utilizam os dois sistemas de saúde.
Recomendações do Unicef
O Unicef recomenda a ampliação da oferta de analgesia e a melhoria do pré-natal, com informações claras sobre o trabalho de parto e direitos das gestantes. A organização também sugere a inclusão de doulas e a mobilização de referências locais para apoiar as gestantes durante o parto.
Opinião
A crescente taxa de cesarianas no Brasil levanta questões importantes sobre a autonomia das mulheres e a necessidade de um sistema de saúde que respeite suas escolhas e ofereça suporte adequado.





