Internacional

EUA investem US$ 26,7 bilhões e OpenAI cede 5% ao governo em meio a tensões

EUA investem US$ 26,7 bilhões e OpenAI cede 5% ao governo em meio a tensões

Os Estados Unidos estão se tornando acionistas de empresas com presença no Brasil, em um movimento que pode alterar o cenário econômico global. Desde 2025, o governo americano investiu US$ 26,7 bilhões em 30 acordos, conforme relatório do Council on Foreign Relations (CFR).

A gigante da inteligência artificial, OpenAI, está em negociações para ceder uma participação de 5% ao governo dos EUA, o que se alinha à política de participação acionária promovida pela administração de Donald Trump desde janeiro de 2025.

Investimentos estratégicos e a Serra Verde

Entre os acordos mais significativos, a USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde, a única produtora de terras raras em grande escala no Brasil, por US$ 2,8 bilhões. Localizada em Goiás, a Serra Verde é crucial para a oferta global de terras raras, com previsão de responder por mais da metade da produção fora da China até 2027.

O governo dos EUA também controla 9,9% da Intel e 15% da MP Materials, rival da USA Rare Earth. Essa estratégia visa fortalecer a segurança nacional e garantir acesso a minerais críticos, em um contexto de crescente rivalidade com a China, que detém cerca de 90% do processamento global de terras raras.

Desafios e riscos da política de participação

Embora a política de participação acionária possa trazer vantagens, como o fortalecimento das cadeias de suprimentos, também apresenta riscos. O CSIS destacou preocupações sobre a politização do setor privado e a possibilidade de conflitos de interesse, especialmente quando o governo atua como investidor e regulador ao mesmo tempo.

O analista Allan Gallo, do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, afirma que a aquisição da Serra Verde é um passo importante para os EUA, pois busca reduzir a dependência de fornecedores chineses e garantir a competitividade em setores estratégicos.

Opinião

A crescente intervenção do governo dos EUA nas empresas pode ser vista como uma resposta necessária às dinâmicas de mercado, mas também levanta questões sobre a liberdade econômica e os limites da atuação estatal na economia.