A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) anunciou no dia 3 de outubro uma medida drástica contra a proposta da Fifa de criar uma empresa para administrar seus torneios e vender ações a investidores privados. Após uma reunião virtual, a entidade europeia decidiu que as 55 federações do continente boicotarão todas as competições da Fifa enquanto a proposta estiver em vigor.
O documento divulgado pela Uefa afirma: “Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes”. Este boicote pode ter consequências sérias, especialmente para a Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada no Brasil.
Proposta da Fifa e suas implicações
A proposta da Fifa, apresentada em 1 de outubro, visa a criação da Fifa Forward Enterprise, uma nova empresa que operaria a comercialização e organização de todas as competições da entidade. A Fifa espera arrecadar 4,2 bilhões de dólares com essa iniciativa, que inclui um aumento significativo no repasse para as federações, passando de 8 milhões para 20 milhões de dólares.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu a proposta em um vídeo, afirmando que a venda de ações passará por votação com todas as associações-membro e pelo conselho da organização. A Uefa, por sua vez, recebeu apoio da Concacaf e da AFC, representando um total de 143 dos 211 membros da Fifa.
Reação da Uefa e suas críticas
A Uefa expressou sua oposição à proposta da Fifa, afirmando que a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Em nota, a entidade destacou que a proposta foi concebida sem consulta significativa e que isso representa uma falha de liderança da Fifa. A Uefa considera a abordagem da Fifa como uma forma de coerção, afirmando que as associações nacionais enfrentam um ultimato: aceitar a apropriação das competições ou arcar com as consequências.
Opinião
A situação entre a Uefa e a Fifa revela um conflito profundo sobre o futuro do futebol, levantando questões sobre a governança e a comercialização das competições mais importantes do esporte.





