Mesmo com mais de 46 mil vagas intermediadas pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine) em 2025, Mato Grosso do Sul terminou o ano com cerca de 21 mil oportunidades que não se converteram em contratações. Essa situação reflete um problema persistente no mercado de trabalho: a falta de mão de obra qualificada.
O cenário afeta principalmente setores em expansão, como a construção civil, que continua a abrir vagas, mas enfrenta dificuldades para encontrar profissionais com o perfil exigido. Dados do Observatório do Trabalho da Fundação de Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab) apontam 46.849 oportunidades intermediadas em 2025, resultando em 25.774 trabalhadores colocados no mercado de trabalho.
Embora a diferença entre o número de vagas ofertadas e as colocações efetivadas não represente necessariamente vagas não preenchidas, o descompasso entre a oferta e a contratação persiste. O Sinduscon-MS afirma que, só nos primeiros quatro meses de 2025, o setor gerou mais de 5.200 contratações formais, mas esse número poderia ser ainda maior. “O setor possui vagas abertas que, infelizmente, não consegue preencher por falta de mão de obra, especialmente a qualificada”, diz o sindicato.
Qualificação e Projetos em Andamento
Como resposta a esse desafio, o sindicato tem investido em projetos de qualificação. O Sindicato Qualifica, em parceria com o Senai e a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), oferece cursos gratuitos para quem deseja ingressar no setor, além de capacitações para trabalhadores já atuantes.
Outro projeto relevante é o Elas Constroem, que foca na qualificação de mulheres para a construção civil. Atualmente, três turmas estão em andamento e devem formar profissionais como pedreira, operadora de Bobcat e assentadora de revestimento cerâmico até agosto.
Desafios do Mercado de Trabalho
Apesar das iniciativas, o cenário é desafiador. O economista Eduardo Matos aponta que o gargalo tem três origens. A primeira é o salário, que continua abaixo do custo de vida em MS, levando trabalhadores a buscarem a informalidade. “O salário baixo afasta o trabalhador, e muitos têm preferência por atuar na informalidade”, explica.
A segunda origem é demográfica. Mato Grosso do Sul possui uma das menores densidades populacionais do País, o que dificulta a ocupação das vagas disponíveis. “É natural que tenhamos uma produção elevada, mas o que impede de consolidar esse potencial é a ausência de fatores de produção, sendo o principal o capital humano”, conclui.
Por fim, o terceiro fator é o desencontro entre a qualificação disponível e as exigências do mercado. Muitas vagas requerem formação técnica ou tecnológica, enquanto o que sobra são trabalhadores sem qualificação ou com diplomas em áreas com pouca demanda.
Opinião
A luta por qualificação e adequação do mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul é essencial para reduzir o número de vagas abertas e garantir melhores oportunidades para os trabalhadores.





