Economia

Serasa Experian revela que 9,1 milhões de empresas estão em crise financeira

Serasa Experian revela que 9,1 milhões de empresas estão em crise financeira

A inadimplência das empresas no Brasil atingiu um novo recorde, com 9,1 milhões de negócios enfrentando dívidas em atraso em junho de 2026, conforme dados da Serasa Experian. O total de dívidas acumuladas chegou a R$ 232,9 bilhões, os maiores números desde o início da série histórica em 2016.

O cenário é alarmante, já que em maio deste ano, 9 milhões de empresas estavam negativadas, e as dívidas somavam R$ 229,9 bilhões. Em apenas um mês, o número de empresas endividadas cresceu 1,1% e o total das dívidas aumentou 1,3%. A economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, afirmou que estamos diante de uma “bomba-relógio a ser desarmada” para evitar uma desaceleração abrupta da economia.

Impacto nos pequenos negócios

Os pequenos negócios são os mais afetados, com 8,7 milhões de micro e pequenas empresas inadimplentes, representando cerca de 95% do total. O setor de serviços concentra 55,7% das dívidas, seguido pelo comércio com 32,2% e pela indústria com 8%. Cada empresa negativada possui, em média, 7,3 contas atrasadas e deve R$ 25.508,96.

Recuperação judicial e a crise no varejo

O drama financeiro se estende até grandes empresas, como as Casas Bahia, Marabraz, Mobly e Tok&Stok, que solicitaram recuperação judicial. O setor supermercadista também foi impactado, com o Pão de Açúcar buscando reestruturação devido a R$ 4,5 bilhões em dívidas. No total, 6,3 mil empresas estão em recuperação judicial, um aumento de 6,2% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Condições de crédito e consumo

Apesar da recente queda da taxa Selic, que passou de 15% para 14% ao ano desde março de 2026, o crédito continua caro e inacessível. A Serasa Experian destaca que os programas de renegociação de dívidas não impediram o avanço da inadimplência. Em julho, a inadimplência entre consumidores chegou a 83,9 milhões, e 74,6% da renda das famílias está comprometida com empréstimos e contas básicas.

Opinião

O aumento da inadimplência entre empresas e consumidores evidencia a necessidade urgente de medidas eficazes para estabilizar a economia e garantir a manutenção de empregos no Brasil.