O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, demitiu nesta terça-feira (2) o ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e a ministra da Educação, Beatriz García, em meio à intensa onda de protestos que paralisa o país andino há semanas. A decisão ocorre em um contexto de crescente insatisfação popular e pressão por mudanças.
Salinas será substituído por Ernesto Justiniano, que anteriormente liderava o combate ao narcotráfico no país e estava à frente de um órgão diretamente subordinado à Presidência da Bolívia. A pasta de García ainda não tem um novo nome definido.
Protestos e bloqueios
Os protestos, que envolvem movimentos de trabalhadores, camponeses, mineiros e professores, já paralisaram sete dos nove estados da Bolívia. No dia 1º de outubro, mais de 90 pontos de bloqueio foram registrados nas rodovias, um aumento significativo em relação à semana anterior. Essas ações têm causado escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, especialmente na capital, La Paz, e na cidade vizinha de El Alto.
Os preços de alimentos essenciais, como carne e ovos, dobraram nas últimas semanas, refletindo a gravidade da crise econômica que o país enfrenta. Os manifestantes exigem medidas mais eficazes contra a pior crise econômica em quatro décadas e pedem a renúncia de Paz, que venceu as eleições em outubro de 2025, encerrando um longo período de domínio da esquerda na política boliviana.
Pressão e resposta do governo
O governo de Paz enfrenta uma pressão crescente de líderes empresariais, que pedem uma resposta mais dura contra os manifestantes. Em um discurso recente, o presidente denunciou as manifestações como uma tentativa de “alterar a ordem democrática” e acusou o ex-presidente Evo Morales, ligado aos sindicatos, de incitar as manifestações mais violentas. O presidente afirmou que busca uma “reconciliação” para que a onda de protestos cesse nos próximos dias.
Opinião
A situação na Bolívia é um reflexo das tensões sociais acumuladas ao longo dos anos, e as demissões de ministros podem ser apenas um remédio temporário para uma crise que exige soluções mais profundas.





