O mercado imobiliário de Mato Grosso do Sul está em um momento de contrastes. Embora os programas habitacionais estejam impulsionando a construção de moradias populares, o segmento de médio padrão enfrenta desafios significativos devido a juros elevados, crédito restrito e aumento dos custos de construção.
Em uma recente entrevista ao Correio do Estado, o empresário e dirigente do setor imobiliário Renato H. Perez destacou os principais desafios para ampliar a oferta de moradias e a necessidade urgente de desburocratizar a aprovação de empreendimentos.
Deficit Habitacional em Números
O deficit habitacional é um problema nacional, com o Brasil enfrentando um deficit estimado em 5,8 milhões de moradias. Em Mato Grosso do Sul, esse número é de aproximadamente 76 mil moradias. Esse deficit não se resume apenas à falta de casas, mas também inclui famílias vivendo em condições precárias ou que dividem residências por falta de alternativas.
A habitação de interesse social é financiada principalmente com recursos do FGTS, que atualmente está sólido, enquanto o mercado de médio padrão depende da poupança, que está se esgotando como fonte de financiamento.
Impactos da Taxa de Juros e Custos de Construção
A taxa de juros elevada impacta diretamente o crédito imobiliário e a capacidade de compra das famílias. O tempo prolongado de juros altos diminui o número de famílias aptas a financiar imóveis, desacelerando a demanda. Além disso, o aumento dos custos de construção, devido a fatores como a valorização da mão de obra e o aumento dos preços dos insumos, também afeta o preço final dos imóveis.
Desafios na Aprovação de Loteamentos
A aprovação de loteamentos em Campo Grande é demorada devido a um processo fragmentado que passa por diversos setores, muitas vezes resultando em exigências excessivas. O Secovi pode ajudar a modernizar esse processo, propondo análises simultâneas e o uso de tecnologia para reduzir a burocracia.
Opinião
O cenário do mercado imobiliário em Mato Grosso do Sul exige uma ação conjunta entre setor privado, instituições financeiras e governo para garantir que mais famílias consigam acessar a casa própria.





