A Polícia Federal (PF) iniciou nesta segunda-feira (26) a oitiva de oito investigados no inquérito que investiga irregularidades na tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A negociação foi barrada pelo Banco Central no ano passado e deu origem à Operação Compliance Zero, que apura o que pode ser considerado uma das maiores fraudes financeiras do Brasil.
Depoimentos e investigações em andamento
Os depoimentos estão sendo realizados no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, que prorrogou a investigação por mais 60 dias. No primeiro dia de oitiva, quatro investigados, incluindo dirigentes do BRB, executivos do Banco Master e empresários, foram ouvidos. Entre eles estão Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças do BRB, e André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Banco Master.
Na terça-feira (27), outros quatro envolvidos, incluindo atuais e ex-dirigentes do Banco Master e do BRB, prestarão depoimento. O inquérito foi deslocado para o STF em dezembro de 2025, após decisão de Toffoli, e até então estava sob a responsabilidade da Justiça Federal em Brasília.
Irregularidades e movimentação financeira
A investigação aponta que o Banco Master emitiu Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de rendimentos irrealistas, que chegavam a 40% acima da taxa básica do mercado. Para os investigadores, o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões, levantando suspeitas sobre a participação de dirigentes do BRB nas operações.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A PF identificou que o grupo explorou vulnerabilidades do mercado de capitais e cometeu crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.
Desdobramentos da Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero, que está em andamento, visa aprofundar as apurações sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. De acordo com a PF, o grupo pode ter utilizado ativos sem liquidez e manipulado preços de mercado, além de realizar transações entre partes relacionadas. O caso gerou preocupação no setor financeiro, levando o BRB a necessitar de socorro do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) após as fraudes.
Opinião
A investigação em curso evidencia a complexidade e a gravidade das fraudes financeiras no Brasil, ressaltando a importância da atuação rigorosa das autoridades para garantir a integridade do sistema bancário.





