Os cinco suspeitos de participar de um esquema de compras superfaturadas de medicamentos contra o câncer, que resultou em um prejuízo de R$ 78 milhões aos cofres públicos de Mato Grosso do Sul, foram liberados nesta terça-feira. Eles estavam detidos desde o dia 23 de abril e, após cinco dias de prisão temporária, a Justiça indeferiu o pedido de prorrogação das prisões.
O pedido de prorrogação foi realizado pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) da Polícia Civil de MS, com apoio do Ministério Público Estadual (MPMS) através do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). No total, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e 5 mandados de prisão temporária em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, expedidos pelo Núcleo de Garantias do Poder Judiciário.
Suspeitos e esquema criminoso
Entre os presos estão um advogado, dois farmacêuticos e dois ex-servidores da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Os farmacêuticos, Luiz Henrique Marino e Reginaldo Pereira dos Santos, eram responsáveis por fornecer medicamentos que eram importados sem autorização da Anvisa. Reginaldo também é sócio de uma empresa que assessora na compra de medicamentos.
Os ex-servidores, Guilherme de Oliveira Neto e Altair Penha Malhada, atuavam na assistência farmacêutica e forneciam informações privilegiadas sobre orçamentos. Guilherme foi exonerado em junho de 2025 e, antes de sua saída, gastou mais de R$ 11 mil como funcionário público. Altair foi demitido em agosto do ano passado após quase três anos e meio de serviço.
O advogado Victor Guilherme Lezo Rodrigues atuava como representante das empresas, apresentando orçamentos que pareciam legais, mas que não correspondiam aos medicamentos realmente fornecidos. Pequenas farmácias e empresas de assessoria, sem capacidade financeira ou estoque, participavam do esquema, desviando recursos sob a forma de “taxas de serviço” que chegavam a mais de 70%.
Consequências e investigações em andamento
As investigações revelaram que os medicamentos entregues aos pacientes eram diferentes dos solicitados e eram importados de países asiáticos, sem autorização da Anvisa. A delegada Ana Cláudia Medina afirmou que o objetivo inicial da operação é desmontar o núcleo jurídico do esquema e proteger os cofres públicos. As investigações continuam de forma sigilosa, e há indícios de que pacientes possam ter sido prejudicados, embora não se tenha confirmação de mortes diretamente relacionadas aos medicamentos.
Opinião
A liberação dos suspeitos acende um alerta sobre a eficácia das medidas de combate à corrupção no setor de saúde e a necessidade de transparência nas investigações.





