O aquecimento global está intensificando a transformação do mercúrio em metilmercúrio, um composto extremamente tóxico que se acumula na cadeia alimentar e pode afetar a saúde humana pelo consumo de peixes contaminados. Atualmente, cerca de 230 mil toneladas de mercúrio estão dispersas pelos oceanos, onde permanecem por cerca de 300 anos. Esses dados alarmantes foram apresentados no dia 5 de outubro de 2023 pelo pesquisador Lars-Eric Heimbürger-Boavida, do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), durante a Reunião Magna de 2026 da Academia Brasileira de Ciências (ABC), realizada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
Impactos da poluição por mercúrio
Na sua apresentação, Lars-Eric destacou que, embora uma parte do mercúrio chegue aos oceanos por fontes naturais, como atividades vulcânicas, a maior parte é proveniente de ações humanas, incluindo a queima de combustíveis fósseis, mineração e desmatamento. Ele ressaltou a importância da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, que visa reduzir a exposição ao mercúrio, e afirmou: “Temos bastante embasamento científico e influência suficiente para tomar uma decisão política sobre este quadro”.
Condições climáticas e mercúrio
O pesquisador também alertou que o aumento das temperaturas favorece a atividade de bactérias que produzem metilmercúrio, especialmente em regiões como o Ártico, onde o aquecimento promove a liberação de mercúrio glacial. Essa situação é preocupante, pois a interação do mercúrio com a matéria orgânica em ecossistemas terrestres e costeiros complica ainda mais o cenário de poluição marinha.
Atividades mineradoras e a bacia do Rio Paraíba do Sul
O professor Carlos Eduardo de Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), também abordou a questão do mercúrio como um poluente global, destacando a atividade mineradora ilegal na bacia do Rio Paraíba do Sul, que abrange os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Apesar da Convenção de Minamata estar em vigor, essa prática continua a impactar a dinâmica do mercúrio na região.
O papel dos oceanos e a necessidade de ação
O encontro da ABC, que se estende até 7 de maio de 2023, reúne especialistas em ciência oceânica e enfatiza a importância dos oceanos para o bem-estar humano e a saúde do planeta. O acadêmico Luiz Drude de Lacerda destacou que “o oceano tem um papel central no funcionamento do planeta”, mas enfrenta pressões crescentes devido à poluição e mudanças climáticas.
Opinião
A crescente poluição dos oceanos por mercúrio exige uma resposta imediata e coordenada das autoridades e da sociedade para proteger ecossistemas vitais e a saúde pública.





