Economia

Pesquisa da FGV revela que agro brasileiro confia mais nos EUA que na China

Pesquisa da FGV revela que agro brasileiro confia mais nos EUA que na China

Em um cenário de incertezas comerciais, uma pesquisa da FGV revela que o agronegócio brasileiro confia mais nos Estados Unidos do que na China, seu maior parceiro comercial. Realizada entre 25 de outubro e 18 de novembro de 2025, a pesquisa aponta que 21,8% dos entrevistados consideram os EUA ‘muito confiáveis’, enquanto apenas 12,6% têm a mesma opinião sobre a China.

O estudo, intitulado “Como a fronteira agrícola vê as relações internacionais”, destaca que, apesar da China ser o principal destino da soja e da carne bovina produzida nas regiões do Centro-Oeste e Norte do Brasil, os agricultores se sentem mais seguros em relação aos EUA. O diretor da FGV RI, Matias Spektor, afirma que a confiança no país asiático caiu quase 20 pontos porcentuais desde 2017, mesmo com o aumento da parceria comercial.

Impactos das Tarifas Americanas

A pesquisa foi realizada após a implementação de um tarifaço americano de 50% sobre produtos brasileiros no ano anterior. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que o Centro-Oeste e Norte representam mais da metade das exportações do agro brasileiro, com 63,5% da soja exportada no primeiro semestre de 2026 tendo como destino a China.

Perfil Político da Fronteira Agrícola

O relatório também traça o perfil político da região, revelando que 83,5% dos moradores da fronteira agrícola se identificam como de direita ou centro. Além disso, 55,9% acreditam que o governo interfere demais na vida das pessoas, e 64,3% consideram que a regulação governamental prejudica os negócios. Essa cultura política, segundo os autores, ajuda a explicar a preferência por Estados Unidos em detrimento da China.

Desafios Futuros

Os desafios não param por aí. Mais de 4 mil produtos brasileiros podem enfrentar tarifas de até 37,5% nos EUA, o que pode complicar ainda mais as relações comerciais. O estudo alerta que, à medida que o peso eleitoral da fronteira cresce, as preferências da região impõem restrições reais às posições que Brasília pode adotar em relação a Washington, Pequim e Bruxelas.

Opinião

A pesquisa da FGV destaca a complexidade das relações comerciais do Brasil e revela a necessidade de um diálogo mais profundo entre os setores envolvidos para garantir a segurança e a confiança nas parcerias internacionais.