O governo do Paraguai convocou, nesta quinta-feira, 30 de outubro, o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, para uma reunião. A convocação ocorreu após uma declaração do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a guerra da Tríplice Aliança, que ocorreu entre 1864 e 1870. Este tema é considerado sensível no Paraguai, que sofreu consequências devastadoras durante o conflito.
No dia 24 de julho, Lula se referiu à guerra durante um discurso em Jacareí, São Paulo, mencionando a invasão do Brasil pelo Paraguai e o impacto do conflito que durou cinco anos. Em uma coletiva de imprensa, o ministro paraguaio das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano, confirmou a convocação do embaixador.
O embaixador brasileiro se reunirá com Lezcano no dia 31 de outubro, quando uma nota oficial será entregue pelo Paraguai. Segundo informações do ministério paraguaio, Lezcano conversou por telefone com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o presidente paraguaio, Santiago Peña, também abordou o tema com Lula em uma ligação.
Lezcano ressaltou a importância da dignidade do Paraguai, afirmando que “a dignidade do Paraguai não está em negociação” e que a diplomacia deve ser conduzida com moderação. A convocação de um embaixador é um sinal claro de insatisfação nas relações diplomáticas. Recentemente, o Brasil também convocou seu embaixador em Buenos Aires após ofensas do presidente argentino, Javier Milei, a Lula.
Guerra da Tríplice Aliança
A guerra da Tríplice Aliança foi um dos conflitos mais sangrentos da história da América do Sul, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. O Paraguai, sob o comando do ditador Solano López, sequestrou um navio brasileiro e invadiu cidades, como Corumbá, resultando em um conflito devastador. A vitória da Tríplice Aliança trouxe consequências desastrosas para o Paraguai, com grande perda de vidas e destruição da infraestrutura do país.
Opinião
A convocação do embaixador brasileiro reflete a fragilidade das relações diplomáticas entre Brasil e Paraguai, evidenciando como questões históricas ainda reverberam na política atual.





