Santa Catarina

Pantanal Energética suspende vertimento de plantas após pressão em Bataguassu

Pantanal Energética suspende vertimento de plantas após pressão em Bataguassu

Após intensos protestos devido à invasão de plantas aquáticas no lago da hidrelétrica de Porto Primavera, a Pantanal Energética decidiu suspender o vertimento da vegetação. A decisão foi formalizada em um documento enviado ao Ministério Público em Ribas do Rio Pardo no dia 26 de agosto.

A medida surge em meio a uma crescente preocupação com a proliferação de plantas no lago de 1,5 mil hectares, que começou em março de 2025, e a pressão da comunidade local. O Ministério Público instaurou uma “Notícia de Fato” no dia 6 de agosto, cobrando explicações e propondo um Termo de Compromisso Ambiental para combater a situação.

Ação Judicial e Multa

Em resposta à situação, a promotoria de Bataguassu protocolou uma ação judicial em 27 de agosto, exigindo a suspensão imediata dos vertimentos, o recolhimento das plantas e uma multa de R$ 10 milhões contra a Pantanal Energética por suposto crime ambiental. A ação ocorre em um contexto em que o nível de fósforo no Rio Pardo chegou a 3.037 partículas por miligrama, um número alarmante que indica a gravidade da poluição.

Poluição e Responsabilidades

O relatório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que foi tornado público um ano após sua conclusão, aponta que a proliferação das plantas é resultado do excesso de nutrientes despejados pela fábrica de celulose da Suzano, que despeja cerca de 206 milhões de litros de esgoto diariamente no Rio Pardo. Antes do despejo, a água do rio apresentava 90 partículas de fósforo por miligrama; após, esse número disparou para 3.037, 30 vezes acima do tolerável.

Embora o relatório tenha sido conhecido desde 5 de agosto, a promotoria focou suas investigações apenas na Pantanal Energética, sem responsabilizar a Suzano, que é a principal fonte de poluição. A Pantanal Energética, que opera a hidrelétrica desde 1971, possui licença para operar até 14 de fevereiro do próximo ano.

Medidas de Contenção

Em um esforço para controlar a situação, a Pantanal Energética começou a retirar manualmente as plantas, utilizando retroescavadeiras e barcos. Até agora, foram removidos 351 metros cúbicos de vegetação, que foram transformados em fertilizante natural. No entanto, a situação permanece crítica, com cerca de 18% do lago coberto por plantas em julho, reduzindo para 12% em agosto.

Opinião

A situação em Bataguassu revela a complexidade da responsabilidade ambiental e a necessidade de um enfoque mais abrangente que considere todas as fontes de poluição.