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Paleontólogos revelam migração de carpinchos e fósseis surpreendentes no Atacama

Paleontólogos revelam migração de carpinchos e fósseis surpreendentes no Atacama

Paleontólogos internacionais descobriram fósseis de uma espécie semiacuática que habitou o deserto do Atacama há cerca de 9 milhões de anos. O achado derruba a teoria de que a região sempre foi árida e inabitável. A descoberta foi publicada na revista Scientific Reports e surpreendeu a comunidade científica.

A principal evidência é um pequeno dente fossilizado, com apenas 10 milímetros, pertencente a um carpincho ancestral. A presença desse roedor gigante na zona costeira chilena é extraordinária porque esses animais precisam de água doce permanente e vegetação densa para sobreviver. Junto ao dente de carpincho, a equipe multidisciplinar recuperou outros fósseis da mesma camada geológica: ossos e escamas de peixes de água doce.

Descobertas Inesperadas

Restos de gaviais — um tipo de crocodilo de água doce — e fitólitos microscópicos que confirmam a presença histórica de palmeiras e plantas com flores também foram encontrados. Esses achados foram feitos no sítio de El Morro, dentro da Formação Bahía Inglesa, uma zona arqueológica marcada por depósitos marinhos e sedimentares.

Participação e Importância da Pesquisa

A pesquisa contou com a participação da paleontóloga Carolina Gutstein e da geóloga Priscilla Martinez, da Universidade do Arizona. Martinez destacou a raridade do achado: encontrar um dente de carpincho em um depósito marinho de uma das regiões mais secas do planeta é inusitado.

Novas Teorias sobre a Geologia do Atacama

Antes deste trabalho, a geologia indicava que o Atacama permanecia continuamente árido há 40 milhões de anos. Mas as evidências agora reunidas mostram que a região abrigava uma extensa rede de humedais — áreas úmidas com água e vegetação. A hipótese mais provável é que os carpinchos tenham migrado da atual Venezuela, contornando toda a costa do Oceano Pacífico por um corredor costeiro estreito, coberto de vegetação e água superficial, permitindo que o animal avançasse milhares de quilômetros até a região do Atacama.

Opinião

A descoberta de fósseis no Atacama não apenas desafia concepções anteriores, mas também abre novas possibilidades de pesquisa sobre a biodiversidade antiga da região.