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Niantic Spatial e Vantor utilizam dados de Pokémon Go para treinar drones militares

Niantic Spatial e Vantor utilizam dados de Pokémon Go para treinar drones militares

Pokémon Go voltou a chamar atenção após uma reportagem revelar que dados coletados pelo jogo teriam sido utilizados no treinamento de drones militares. Segundo o jornalista Gerben Beutick, do jornal holandês Trouw, a Niantic Spatial firmou um acordo com a Vantor, empresa contratada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, para usar escaneamentos gerados por jogadores na criação de sistemas de navegação visual para drones e robôs militares.

O jogo, que se tornou um fenômeno global ao incentivar a exploração de ambientes reais por meio da realidade aumentada, é atualmente operado pela Scopely. Em 2021, a Niantic passou a incentivar usuários a realizar escaneamentos em 3D de locais conhecidos em troca de recompensas dentro do jogo. Para participar, era necessário concordar com termos que autorizavam o uso das imagens coletadas pela empresa.

Dados coletados e a parceria

Segundo a reportagem do Trouw, a Niantic Spatial utilizou cerca de 30 bilhões desses escaneamentos para construir um mapa tridimensional do mundo real. A tecnologia permite que máquinas identifiquem a própria localização por meio de câmeras e referências visuais do ambiente, sem depender exclusivamente de GPS. Em dezembro de 2025, a empresa firmou uma parceria com a Vantor para combinar seus mapas a sistemas de navegação visual destinados a drones e outros robôs militares.

A solução, conhecida como VPS (Sistema de Posicionamento Visual), poderia funcionar em locais onde o sinal de GPS é limitado ou sofre interferências, como áreas urbanas densas e zonas de conflito. Inicialmente, a Vantor negou ter utilizado dados coletados por Pokémon Go em seus projetos. No entanto, a empresa se recusou a esclarecer se versões anteriores dos modelos empregados em seus drones militares chegaram a ser treinadas com essas informações.

Repercussão na comunidade

Já a Niantic Spatial admitiu que uma “versão inicial” de seu sistema de navegação visual utilizou escaneamentos obtidos por meio do jogo. A revelação surpreendeu parte da comunidade de Pokémon Go, que não esperava ver dados coletados durante a experiência de jogo associados a projetos de navegação militar. Em entrevista ao Trouw, o jogador holandês Floris De Hingh, de 34 anos, afirmou ter ficado chocado com a descoberta, dizendo que acreditava estar “apenas jogando um jogo” quando realizou os escaneamentos.

Opinião

A utilização de dados de jogos para fins militares levanta questões éticas e de privacidade que merecem ser discutidas amplamente.