Os ateliês terapêuticos criados por Nise da Silveira estão prestes a completar 80 anos, no dia 18 de maio de 2026. Esta experiência pioneira, iniciada em 1946, buscou alternativas aos métodos agressivos da psiquiatria, como eletrochoques e lobotomia, utilizando atividades artísticas como forma de tratamento.
Atualmente, os ateliês fazem parte do Museu de Imagens do Inconsciente (MII), localizado no bairro Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro. O MII abriga o maior acervo do mundo em seu gênero, com mais de 400 mil obras, sendo 128 mil tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Funcionamento e Impacto
Atualmente, 55 pessoas frequentam os ateliês do MII, que oferecem uma variedade de atividades expressivas, como pintura, teatro, e cerâmica. Este ambiente terapêutico não só promove a expressão artística, mas também tem gerado resultados significativos, como o ingresso de três clientes em faculdades em 2023.
A coordenadora dos ateliês, Adriana Lemos, destaca que as atividades ajudam a criar laços familiares mais saudáveis e a desenvolver a autonomia dos participantes. “É importante que a família esteja mais presente”, afirma Lemos.
Legado de Nise da Silveira
Nise da Silveira, nascida em Maceió em 15 de fevereiro de 1905 e falecida em 30 de outubro de 1999, revolucionou o tratamento psiquiátrico no Brasil. Sua abordagem humanista e inovadora ainda é um marco na história da psiquiatria, sendo replicada em outros centros de saúde mental, como o Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ).
O diretor-geral do CPRJ, Francisco Sayão, afirma que os psiquiatras que seguem as ideias de Nise buscam colocar os pacientes como protagonistas de seu tratamento, refletindo o espírito dos ateliês originais.
Opinião
A comemoração dos 80 anos dos ateliês de Nise da Silveira é uma oportunidade valiosa para refletir sobre a importância da arte e da humanização no tratamento da saúde mental.





