O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que seu ministério é o “menos culpado” pela alta da taxa Selic no Brasil. Em entrevista ao G1, ele ressaltou que a política fiscal do governo Lula não é a única responsável pela manutenção dos juros elevados.
Durigan enfatizou que a discussão sobre a Selic deve ir além das contas públicas e prometeu um ajuste fiscal nos próximos anos, que é vital para atender as metas estabelecidas. O governo planeja alcançar um superávit primário de 0,5% do PIB até 2027, aumentando esse percentual gradativamente até 1,5% em 2030.
Aumento da Dívida e Déficits Fiscais
O Brasil enfrenta uma dívida bruta do governo que se aproxima de 80% do PIB, com déficits fiscais contínuos desde novembro de 2014. Esse cenário tem gerado preocupações entre economistas e o Banco Central, que indicam que a deterioração das contas públicas é um fator crítico para a manutenção da Selic em patamares elevados.
Durigan também mencionou a necessidade de rever os gastos tributários, que são estimados em mais de R$ 600 bilhões por ano, e anunciou um corte de 10% nesses gastos para este ano. Ele propôs ainda a tributação de lucros e dividendos, aproximando o Brasil dos padrões da OCDE.
Impacto das Medidas Fiscais
Embora o ministro tenha minimizado os efeitos de linhas de crédito subsidiadas e programas de ajuda setoriais, ele reconhece que o mercado de crédito brasileiro é vasto, com um volume de R$ 600 bilhões por mês. Durigan acredita que essas iniciativas não afetam significativamente a política monetária.
Economistas alertam, no entanto, que a deterioração das contas públicas e o aumento da dívida podem elevar a percepção de risco entre os investidores, dificultando o controle da inflação e forçando o Banco Central a manter os juros altos por mais tempo.
Opinião
A posição do ministro Dario Durigan sobre a Selic e o ajuste fiscal reflete um desafio complexo que o Brasil enfrenta, onde a combinação de dívidas crescentes e déficits fiscais exige soluções robustas e eficazes.




