A remuneração média das mulheres em Mato Grosso do Sul continua a ser significativamente inferior à dos homens, conforme aponta o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). As trabalhadoras sul-mato-grossenses recebem, em média, R$ 3.065,70, enquanto os homens ganham R$ 4.151,02, resultando em uma diferença de 26%.
O levantamento se baseia em dados de estabelecimentos com 100 ou mais empregados, utilizando informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No panorama nacional, a desigualdade é menor, com mulheres recebendo, em média, 21,3% a menos que os homens.
Desigualdade Salarial e Raça
A disparidade salarial em Mato Grosso do Sul se repete em diversos recortes, incluindo raça. Entre trabalhadores não negros, os homens têm uma remuneração média de R$ 5.067,47, enquanto as mulheres recebem R$ 3.706,03. Para os trabalhadores negros, a situação é ainda mais crítica: os homens recebem R$ 3.701,36 e as mulheres apenas R$ 2.658,43.
Além disso, o salário mediano das mulheres no estado é de R$ 1.967,35, enquanto os homens têm uma mediana de R$ 2.496,51. Em dezembro de 2025, Mato Grosso do Sul contava com 652 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, que geraram 226,1 mil vínculos empregatícios, dos quais 83 mil eram ocupados por mulheres.
Aumento na Participação Feminina
Apesar da persistente desigualdade, o relatório do MTE indica um aumento na participação feminina no mercado de trabalho. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres empregadas no Brasil cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões. O crescimento foi ainda mais acentuado entre mulheres negras, que tiveram um aumento de 29%, representando mais 1 milhão de novas ocupações.
Desafios e Avanços
Apesar do aumento na massa de rendimentos das mulheres, que subiu de 33,7% para 35,2%, a participação feminina no emprego ainda é de 41,4%. O MTE estima que, para alcançar a igualdade, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.
A Lei nº 14.611/2023, que trata da igualdade salarial, ainda não apresentou mudanças significativas na desigualdade salarial. A diferença no salário mediano aumentou de 13,7% para 14,3%, enquanto a remuneração média passou de 20,7% para 21,3% no país.
Opinião
A luta pela igualdade salarial é apenas uma parte do que precisa ser feito. É fundamental que as políticas públicas avancem para garantir não só salários justos, mas também condições dignas de trabalho e oportunidades de crescimento para as mulheres.





