Política

Ministério do Trabalho exige que empresas mapeiem riscos psicossociais após aumento de afastamentos

Ministério do Trabalho exige que empresas mapeiem riscos psicossociais após aumento de afastamentos

Empresas brasileiras agora têm a responsabilidade ampliada sobre a saúde mental de seus trabalhadores, conforme a revisão da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor em 26 de maio de 2026. A nova norma exige que as empresas realizem o mapeamento de riscos psicossociais, como pressão por metas e assédio, refletindo a crescente preocupação com ambientes de trabalho tóxicos.

Dados alarmantes revelam que os afastamentos por burnout cresceram 493% entre 2021 e 2024, com 3.494 afastamentos registrados apenas nos primeiros seis meses de 2025. Essa situação crítica levou o Ministério do Trabalho a adiar a aplicação de multas por 90 dias, enquanto as empresas se adaptam às novas exigências.

Responsabilidade das Empresas

A revisão da NR-1 traz a necessidade de que as empresas mapeiem, registrem e previnam os riscos psicossociais, incluindo fatores como pressão por metas, sobrecarga e falta de suporte organizacional. Essa mudança representa uma nova abordagem na política de saúde e segurança do trabalho, integrando questões antes tratadas de forma informal.

Especialistas, como o advogado trabalhista Antonio Vasconcellos Junior, destacam que a norma surge em resposta à deterioração das relações de trabalho e ao aumento dos afastamentos por transtornos mentais. A norma também exige que as empresas realizem a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP), conectando saúde física e mental.

Reação da Indústria

Do lado empresarial, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) questiona a norma na Justiça Federal, alegando falta de critérios objetivos claros. A entidade argumenta que a subjetividade da norma gera insegurança jurídica, podendo levar a interpretações amplas sobre o que caracteriza um ambiente psicologicamente inadequado.

Impacto Futuro

Apesar das contestações, especialistas acreditam que a judicialização em torno da saúde mental no trabalho deve aumentar. A nova norma pode ser utilizada como parâmetro técnico por auditores fiscais e pela Justiça do Trabalho, abrindo a possibilidade de ações trabalhistas baseadas em riscos já identificados pelas próprias empresas.

Opinião

A revisão da NR-1 é um passo importante para a proteção da saúde mental dos trabalhadores, mas requer um equilíbrio entre responsabilidade empresarial e critérios claros para evitar insegurança jurídica.