A dificuldade da direita em conquistar o voto feminino se intensificou com a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulheres. As mulheres, que representam cerca de 52,5% do eleitorado nacional, tendem a valorizar pautas sociais e demonstram maior adesão a agendas de igualdade, além de rejeitar candidatos com discursos agressivos.
Um relatório da Fundação Friedrich Ebert (FES), divulgado em 2024, revela que 20% das mulheres jovens se declaram de esquerda, enquanto apenas 16% dos homens jovens compartilham essa identificação. Isso demonstra um distanciamento feminino de posições conservadoras e uma participação mais intensa em pautas ligadas à igualdade de gênero e direitos sociais.
Influência das Políticas Públicas
O estudo da Cambridge University Press, publicado em 2025, analisou 16 democracias ocidentais e concluiu que mulheres são mais propensas a votar em partidos de esquerda, especialmente quando defendem políticas de igualdade de gênero no mercado de trabalho. No Brasil, a situação é ainda mais relevante, visto que as mulheres são maioria em todos os estados e têm um peso eleitoral significativo.
Partidos de direita têm tentado se aproximar desse público por meio de iniciativas como o PL Mulheres. No entanto, a forma como as mulheres vivenciam os impactos das políticas públicas e percebem o comportamento dos candidatos influencia seu voto. Temas como custo de vida, renda familiar e saúde pública são prioritários para muitas mulheres, que se identificam com propostas de proteção social.
Comportamento Político e Comunicação
O cientista político Felipe Rodrigues afirma que as mulheres são mais sensíveis à instabilidade e ao risco, o que as torna mais atentas tanto aos efeitos concretos das políticas públicas quanto à forma como os candidatos se comportam durante as campanhas. A linguagem agressiva e desrespeitosa pode penalizar candidatos da direita, que enfrentam resistência devido a essa comunicação inadequada.
A deputada federal Bia Kicis, presidente do PL Mulheres no Distrito Federal, destaca que a esquerda tem uma narrativa forte, mas acredita que a direita também pode se conectar com as mulheres, desde que comunique suas pautas de forma adequada.
Religião e Voto Feminino
A religião também desempenha um papel importante no comportamento político das mulheres. O crescimento do eleitorado evangélico feminino tem ajudado a direita a reduzir a resistência a candidatos conservadores. A vivência religiosa estimula a participação política e favorece a identificação com pautas da direita, segundo Lília Nunes, vice-presidente do PL Mulheres do Rio de Janeiro.
Rodrigues ressalta que a mulher evangélica não forma um bloco homogêneo, mas a religião ajuda a diminuir a resistência a candidaturas de direita, tornando esse grupo estratégico para a política conservadora.
Opinião
A saída de Michelle Bolsonaro do PL Mulheres pode ser um divisor de águas nas próximas eleições, evidenciando como a comunicação e a percepção de políticas públicas impactam o voto feminino.





