A gestão financeira deixou de ser apenas uma rotina interna das empresas e passou a ocupar posição central nas decisões estratégicas de 2026. Parte desse movimento é impulsionada pela fase de testes da reforma tributária, que já começa a exigir ajustes na estrutura de custos das companhias brasileiras.
Márcio Pires de Moraes, profissional com atuação em análise financeira e composição de custos, observa esse cenário de perto, em um momento no qual o controle de custos operacionais deixou de ser diferencial competitivo para se tornar condição básica de sobrevivência. Dados do Sebrae mostram que quase um terço das pequenas e médias empresas brasileiras encerra as atividades antes de completar cinco anos, e a má gestão financeira aparece como um dos principais fatores nesse desfecho.
A reforma tributária acelera a necessidade de ajuste financeiro
O ano de 2026 funciona como período de testes para a implementação gradual da CBS e da IBS, os novos tributos previstos na reforma tributária. Essa transição impõe às empresas a necessidade de revisar processos internos de composição de custos, já que erros de adequação tendem a gerar riscos fiscais e financeiros nos próximos ciclos.
Empresas que dependem exclusivamente de controles manuais ou planilhas enfrentam maior exposição a esse tipo de problema, especialmente diante da complexidade das novas regras. Para Márcio Pires de Moraes, esse cenário torna urgente a adoção de processos mais estruturados de gestão financeira, com indicadores claros de custo e desempenho.
A automação financeira ganha espaço
Segundo ele, empresas que ainda não organizaram sua composição de custos correm risco de tomar decisões estratégicas com base em dados incompletos, justamente no momento em que a margem de erro diminuiu. A digitalização da gestão financeira também avança de forma acelerada no país. Estimativas de mercado indicam que a maior parte das microempresas brasileiras pretende priorizar a automação de processos financeiros como eixo central da organização em 2026, motivada pela necessidade de reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade.
Ainda assim, levantamento da Fundação Getulio Vargas, em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, mostra que a maioria das micro e pequenas empresas brasileiras segue em estágio inicial de maturidade digital. Márcio Pires de Moraes destaca que esse descompasso representa tanto um risco quanto uma oportunidade.
Planejamento financeiro como base da competitividade
O planejamento financeiro deixou de ser um exercício pontual de início de ano e passou a exigir monitoramento contínuo. Entre as práticas mais recomendadas por especialistas do setor estão a criação de orçamentos detalhados, a separação clara entre contas pessoais e empresariais e o acompanhamento constante de indicadores como margem de lucro e liquidez.
Essas medidas ajudam a identificar gargalos antes que se tornem problemas estruturais. Na visão de Márcio Pires de Moraes, a eficiência operacional está diretamente ligada à qualidade da informação financeira disponível para os gestores. Quanto mais estruturado o controle de custos, mais rápida tende a ser a resposta da empresa diante de oscilações de mercado, como variações de juros, inflação e câmbio.
Um cenário que exige maturidade financeira contínua
O ambiente econômico brasileiro em 2026 combina pressão regulatória, avanço tecnológico e exigência crescente por eficiência. Nesse contexto, empresas que tratam a gestão financeira como prioridade estratégica, e não apenas como obrigação contábil, tendem a apresentar maior capacidade de adaptação.
Opinião
A gestão financeira se tornou um pilar essencial para a sobrevivência das empresas, e a reforma tributária apenas intensifica essa realidade. A hora de agir é agora.





