Economia

Eli Lilly propõe proibição de canetas emagrecedoras enquanto Anvisa debate regras

Eli Lilly propõe proibição de canetas emagrecedoras enquanto Anvisa debate regras

O debate sobre a manipulação de canetas emagrecedoras no Brasil ganhou novos contornos, especialmente após a Eli Lilly ter lançado o Mounjaro no país em 2022. Com o aumento da importação de insumos, a indústria farmacêutica, liderada pela Eli Lilly, defende a proibição total dessa prática. A proposta, no entanto, enfrenta resistência do setor de farmácias de manipulação, que argumenta que a manipulação é essencial para garantir o acesso da população a tratamentos.

A Anvisa está atualmente discutindo novas regras para a manipulação dessas canetas. Entre novembro e abril, mais de 120 quilos de tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro, foram importados, o que levanta preocupações sobre a segurança e eficácia dos produtos manipulados. A proposta de uma nova instrução normativa foi debatida em uma reunião da Anvisa, com a decisão final agendada para 27 de abril.

Reações da Indústria e da Anvisa

Clayton Macedo, diretor da SBEM, destacou que a Anvisa já emitiu pareceres que sugerem a retirada de análogos de GLP-1 da lista de substâncias permitidas para manipulação. Ele argumenta que não há necessidade clínica para essa prática, dado que medicamentos aprovados estão disponíveis. Por sua vez, Luciana Takara, diretora da Interfarma, afirmou que a manipulação da semaglutida está controlada, mas a tirzepatida, por ser sintética, é menos restrita, permitindo importações de qualquer distribuidor.

A Anvisa propôs que análises laboratoriais sejam realizadas para cada lote de insumos importados, o que atualmente é feito por laboratórios privados. A nova norma também sugere um prazo de 180 dias para adequação às regras, mas a Interfarma defende que esse prazo deveria ser reduzido para um mês, considerando a urgência da situação.

Posição das Associações

A Anfarmag, que representa farmácias de manipulação, não se manifestou sobre as propostas de regulação, mas enfatizou a importância de uma avaliação de impacto regulatório antes de qualquer mudança. O Conselho Federal de Farmácia também se posicionou, afirmando que a manipulação é uma resposta a lacunas no sistema de saúde.

Enquanto isso, a Eli Lilly continua a pressionar por um endurecimento das regras, argumentando que a manipulação não é necessária e que a adequação deve ser imediata. Felipe Borges, diretor de acesso e assuntos corporativos da empresa no Brasil, reiterou que a companhia não é contra a manipulação, mas sim contra desvios de finalidade.

Opinião

A discussão sobre a manipulação de canetas emagrecedoras revela a complexidade do acesso à saúde no Brasil, onde a indústria farmacêutica e as farmácias de manipulação têm interesses divergentes que impactam diretamente a população.