Economia

Justiça homologa plano de recuperação da Raízen e Shell aporta até R$ 4 bi

Justiça homologa plano de recuperação da Raízen e Shell aporta até R$ 4 bi

A Raízen anunciou que a Justiça homologou, em 30 de julho de 2026, seu plano de recuperação extrajudicial, que envolve a renegociação de dívidas que somam R$ 61,4 bilhões. O plano foi apresentado no dia 5 de junho de 2026 e contou com a adesão de 81,6% dos credores, sem qualquer contestação.

Segundo o comunicado assinado por Lorival Nogueira Luz Júnior, diretor de Relações com Investidores, a homologação do plano reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual e estruturante do endividamento do Grupo Raízen. O plano busca equilibrar as necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital adequada e sustentável a longo prazo.

Próximos passos e causas da crise

Os próximos passos incluem a conversão de parte dos créditos em novos títulos de dívida, a separação entre os setores de combustíveis e energia, desinvestimentos, além de um aporte financeiro da Shell que varia entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. O empresário Rubens Ometto Silveira Mello, controlador da Cosan, também pode participar do processo por meio de sua holding, a Aguassanta Participações.

A Raízen atribui a crise ao elevado custo do endividamento e à alta da Selic, que, segundo relatórios de outras empresas, é um problema comum no setor. O Comitê de Política Monetária (Copom) justifica a manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados devido ao risco de aumento na inflação, agravado por tensões no Oriente Médio e pelo arrefecimento da disciplina fiscal do governo.

Vale lembrar que em dezembro de 2019, antes da pandemia, a dívida da Raízen era de R$ 18,3 bilhões, cerca de 30% do valor atual, e já mostrava uma tendência de crescimento.

Opinião

A recuperação da Raízen é um reflexo das dificuldades enfrentadas por grandes empresas no Brasil, evidenciando a necessidade de estratégias eficazes para enfrentar crises financeiras.