Política

Jaques Wagner desafia STF e contesta operação da PF sobre Banco Master

Jaques Wagner desafia STF e contesta operação da PF sobre Banco Master

A defesa de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, apresentou um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a operação de busca e apreensão realizada na semana passada. Essa operação faz parte das investigações sobre o Banco Master e foi deflagrada em 18 de outubro.

Wagner foi um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, e as apurações indicam que ele teria atuado em favor dos interesses do banco. Contudo, o senador nega todas as acusações. Em nota, sua defesa classificou a operação como “equivocada” e destacou que existem “erros graves que comprometem a medida”.

Emenda de Wagner e defesa contra acusações

A defesa de Wagner argumenta que ele nunca favoreceu o Banco Master no Congresso Nacional. Para corroborar sua posição, afirmam que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, tinha como proposta limitar juros e proteger os consumidores, o que vai contra os interesses do banco.

Além disso, a defesa menciona que Wagner se opôs à chamada “Emenda Master”, que pretendia aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Quanto aos valores encontrados durante a operação, que totalizam US$ 49 mil e 33,5 mil euros, a defesa afirma que todos têm origem lícita e comprovada, sendo parte deles provenientes de diárias pagas pelo Senado para missões no exterior.

Mensagens e indícios de envolvimento

A Polícia Federal (PF) revelou que as mensagens trocadas entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que o senador não seria um mero destinatário passivo de informações, mas sim um interlocutor relevante em assuntos sensíveis ao grupo econômico investigado. A PF também constatou que Wagner e Augusto Lima discutiram a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB).

Entre as supostas vantagens recebidas por Wagner, estão compras de ingressos para shows da cantora Taylor Swift para familiares do senador e viagens em jatinho emprestado por Augusto Lima. Além disso, a PF investiga a aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões por Wagner, que foi realizada após o senador enviar uma mensagem ao empresário em novembro de 2024, indicando interesse em um imóvel no empreendimento de luxo chamado Poéme Horto, em Salvador.

Opinião

A situação de Jaques Wagner levanta questões importantes sobre a transparência nas relações entre políticos e instituições financeiras, especialmente em tempos de crise de confiança.