Semanas de conflito agravaram os problemas econômicos do Irã, aumentando o risco de calamidade no pós-guerra. A República Islâmica parece capaz de sustentar, por enquanto, um impasse no Golfo Pérsico, apesar de um bloqueio naval dos Estados Unidos que paralisou as exportações iranianas de energia. Com os combates de grande escala suspensos por uma trégua em 8 de abril, o Irã permanece em um impasse com os EUA e Israel, enquanto as negociações por um cessar-fogo duradouro estão travadas.
Teerã mantém o Estreito de Ormuz fechado, e Washington bloqueia os portos iranianos no Golfo. Apesar dos danos significativos à infraestrutura e à indústria, e da pressão sobre as exportações de petróleo, o Irã conta com abundantes suprimentos internos, comércio estável com países vizinhos e poucos sinais imediatos de estresse decorrente da perda de receitas estatais causada pelo bloqueio.
Se o presidente dos EUA, Donald Trump, espera que o Irã ceda primeiro nesse jogo de pressão econômica, pode ter de esperar. A economia de resistência do Irã, segundo Sanam Vakil, chefe do programa para o Oriente Médio do centro de pesquisas Chatham House, é baseada em recursos internos e comércio por fronteiras terrestres. A extensão dos danos econômicos causados pela guerra e a probabilidade de uma crise iminente é difícil de avaliar, devido à falta de dados oficiais confiáveis e a um apagão parcial da internet desde janeiro.
Expectativa de colapso e protestos
A situação é tão grave que autoridades iranianas temem novas ondas de protestos. Vakil espera uma queda de dois dígitos no PIB do Irã neste ano. O rial, que caiu 70% no ano passado, recuou mais 15% nos últimos dias, mas, após certa estabilização em março, não está muito distante do nível pré-guerra.
Dados de transporte marítimo entre 13 e 25 de abril mostram que apenas cerca de 300 mil barris de petróleo por dia foram enviados ao Oceano Índico, de mais de 1 milhão de barris diários carregados em petroleiros no período. A capacidade de armazenamento é limitada, mas analistas acreditam que o Irã pode manter a produção por mais dois meses antes de precisar reduzi-la.
Importações e segurança alimentar
O Irã é o maior importador de alimentos da região, mas também é importante notar que é o país com menor insegurança alimentar na região. Com uma colheita melhor que o normal prevista, a necessidade de importações de trigo diminui, reduzindo a vulnerabilidade a uma eventual ampliação do bloqueio marítimo para cargas de grãos.
O bloqueio dos EUA até agora tem se limitado aos portos do Golfo, não atingindo Chabahar, no Mar Arábico. Autoridades na Turquia, Iraque e Paquistão disseram que não há indícios de queda no comércio transfronteiriço até o momento.
Impactos nas ruas de Teerã
À medida que as ameaças de ação militar por parte de Trump aumentaram, o Irã intensificou as importações para estocar seis meses de bens essenciais. Nas ruas de Teerã, o impacto econômico é severo. Empresas iranianas enfrentam preços elevados e interrupções nas cadeias de suprimento, provocando aumento do desemprego.
O temor de uma nova onda de protestos em massa pesa sobre as autoridades. A agitação de janeiro só foi contida após a morte de milhares de manifestantes. Para evitar um desastre econômico iminente, o Irã precisaria incluir o alívio de sanções em qualquer acordo com Washington.
Opinião
A situação do Irã é um reflexo das complexas dinâmicas políticas e econômicas que podem levar a um colapso ainda mais severo. O futuro do país depende de soluções rápidas e eficazes para os desafios impostos pelas sanções e pela instabilidade interna.





