O Irã denunciou que os Estados Unidos mudaram “constantemente” suas demandas durante as negociações realizadas neste fim de semana em Islamabad, o que impediu a formação de um acordo. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, acusou Washington de praticar “pirataria” ao restringir a navegação no Estreito de Ormuz.
Em uma conversa telefônica com o chanceler francês Jean-Noel Barrot, Araghchi afirmou que Teerã participou das tratativas com “boa-fé”, apesar da “absoluta desconfiança” em relação aos EUA. Ele destacou que, embora tenha havido avanços em diversos pontos, a “postura excessiva” e as constantes mudanças de exigências por parte americana travaram o entendimento.
Apoio Francês e Propostas Iranians
Barrot reiterou o apoio da França a uma solução diplomática e expressou esperança de que a continuidade do diálogo possa levar a um acordo final. Além disso, Araghchi discutiu as negociações e o cenário regional em uma ligação com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, mas não foram divulgados detalhes sobre essa conversa.
No âmbito legislativo, Jalil Mokhtar, membro do comitê de energia do Parlamento iraniano, anunciou que um projeto de lei sobre a segurança do Estreito de Ormuz pode alterar as regras de trânsito na região. Segundo a agência Iran International, a proposta visa redefinir a passagem pela via e inclui medidas como a cobrança de pedágios em riais iranianos para serviços de pilotagem e segurança, além do uso de moedas como o yuan chinês e até criptomoedas em transações de energia, sinalizando um movimento de desdolarização.
IRGC e Respostas Firmes
Em paralelo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) intensificou suas críticas a Washington. Em um comunicado, afirmou que as restrições impostas pelos EUA à navegação em águas internacionais são ilegais e configuram “pirataria”. O grupo paramilitar declarou ainda que embarcações ligadas a “inimigos” não poderão transitar pelo Estreito de Ormuz.
Um porta-voz da IRGC afirmou que as Forças Armadas declaram que a segurança dos portos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é para todos – ou para ninguém, alertando que ameaças à segurança iraniana terão resposta e que nenhum porto da região estaria seguro nesse cenário.
Opinião
A escalada de tensões entre Irã e EUA reflete a complexidade das relações internacionais e a necessidade urgente de soluções diplomáticas que evitem conflitos maiores na região.





