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Internet Watch Foundation alerta: imagens de abuso infantil geradas por IA disparam

Internet Watch Foundation alerta: imagens de abuso infantil geradas por IA disparam

A quantidade de imagens de abuso sexual infantil criadas com inteligência artificial cresceu de forma acelerada em 2026. Somente no primeiro semestre, a Internet Watch Foundation (IWF) identificou mais de 6,3 mil imagens geradas por IA que se enquadravam na definição legal de material de abuso sexual infantil, número 40% maior que o registrado durante todo o ano de 2025.

Os dados alarmantes levaram organizações de proteção e autoridades britânicas a reforçar um alerta às famílias: fotos comuns de crianças publicadas abertamente nas redes sociais podem ser capturadas e manipuladas com ferramentas de IA. A recomendação da IWF e da National Crime Agency (NCA), do Reino Unido, é revisar quem pode acessar essas imagens e evitar deixá-las disponíveis publicamente.

O problema também se agrava no Brasil

Além do ECA Digital, em vigor desde 17 de março de 2025, uma nova lei sancionada em agosto de 2026 passou a enquadrar expressamente materiais produzidos, manipulados ou gerados com inteligência artificial que simulem violência sexual contra crianças e adolescentes. Os números mais recentes da IWF consideram imagens estáticas, e entre os casos em que foi possível registrar idade e gênero, meninas apareceram em 98% das imagens identificadas. Crianças entre sete e 13 anos representavam 79% do material analisado pela organização no período.

IA facilita a criação de novas imagens de abuso

As ferramentas generativas de IA podem produzir imagens inteiramente sintéticas, mas também permitem modificar fotografias de crianças reais. Nesse cenário, uma imagem comum publicada na internet pode servir como matéria-prima para criar um conteúdo falso. O serviço Report Remove, usado para ajudar jovens a impedir a circulação de imagens íntimas, recebeu neste ano 420 relatos de menores de idade envolvendo fotos que acreditavam ter sido falsificadas ou manipuladas para parecer explícitas, superando os 397 registros de todo o ano passado, segundo o Guardian.

Grok no centro da discussão

O risco deixou de ficar restrito a ferramentas obscuras de geração de imagens. No início de 2026, o Grok, inteligência artificial da xAI integrada ao X (antigo Twitter), entrou em uma crise após ser usado para produzir imagens sexualizadas a partir de fotografias de pessoas reais. Uma apuração da Reuters encontrou casos envolvendo mulheres e menores de idade. Na época, o próprio Grok atribuiu parte dos resultados envolvendo crianças a falhas em suas proteções, enquanto a xAI afirmou que trabalhava para reforçar os sistemas de segurança.

O que o Brasil está fazendo

O Brasil passou a ter duas camadas recentes de legislação relacionadas ao tema. A primeira é o ECA Digital, Lei nº 15.211/2025, que entrou em vigor em 17 de março deste ano e criou obrigações de prevenção e mitigação de riscos para plataformas e outros serviços digitais acessados por crianças e adolescentes. A fiscalização ficou sob responsabilidade da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que também criou, dentro da Polícia Federal, o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente (CNCA) para receber e tratar denúncias de violência sexual.

Em agosto, a Lei nº 15.487/2026 avançou especificamente sobre o uso de IA, atualizando o Estatuto da Criança e do Adolescente e passando a considerar material de violência sexual também aquele produzido, manipulado ou gerado digitalmente. A legislação prevê responsabilização de provedores envolvidos na criação, hospedagem, administração ou moderação desses ambientes e criou a chamada “ronda virtual”, permitindo às autoridades rastrear arquivos disponibilizados em espaços digitais públicos.

Opinião

A crescente utilização de inteligência artificial para a criação de conteúdos abusivos exige uma resposta rápida e eficaz das autoridades e da sociedade para proteger nossas crianças.