Eleições

Institutos de pesquisa evitam simulações de segundo turno por medo de judicialização

Institutos de pesquisa evitam simulações de segundo turno por medo de judicialização

As pesquisas eleitorais estão enfrentando uma nova realidade nas eleições de 2026. Vários institutos de pesquisa decidiram não incluir simulações de segundo turno em seus levantamentos, temendo a judicialização de suas atividades. Essa mudança não é uma escolha, mas uma estratégia de defesa preventiva diante do aumento de pedidos de impugnação na Justiça Eleitoral.

Os institutos têm se mostrado cautelosos em relação às perguntas sobre intenções de voto para o segundo turno, uma vez que muitas pesquisas têm sido alvo de questionamentos legais. Especialistas apontam que esse receio é resultado do excesso de judicialização no Brasil, o que gera incertezas e limita a liberdade de informação.

Decisões divergentes nos tribunais

Os tribunais regionais têm apresentado entendimentos diferentes sobre a validade das simulações, o que dificulta a atuação dos institutos. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, tem sido criticado por não pacificar a jurisprudência sobre o tema, deixando os institutos em uma situação vulnerável.

De acordo com o especialista em direito eleitoral, Luiz Gustavo de Andrade, a falta de uniformidade nas decisões judiciais força os institutos a tomarem uma postura conservadora. Ele ressalta que, durante o período de pré-campanha, os institutos têm autonomia para decidir sobre a inclusão de pré-candidatos nas simulações.

Legitimidade das simulações

O advogado eleitoralista Ricardo Sérvulo reforça que não existem proibições legais para a simulação de cenários tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ele afirma que, nesta fase, toda simulação é legítima, mas o receio dos institutos é compreensível diante da situação atual.

Opinião

A decisão dos institutos de não simular o segundo turno reflete um momento crítico da política brasileira, onde a judicialização se tornou um fator limitante para a liberdade de expressão e informação.