O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) notificou o Banco Master pelo menos três vezes para apresentar documentos que comprovem a existência legal e o consentimento válido de aposentados e pensionistas em mais de 250 mil contratos de empréstimos consignados. O órgão bloqueou cerca de R$ 2 bilhões em repasses ao banco no dia 26 de novembro de 2025, e esta medida permanece válida até a conclusão da apuração interna.
Segundo uma apuração publicada pela GloboNews, o Banco Master teria promovido uma “expansão agressiva” da carteira de crédito, resultando em um “número expressivo de averbações desprovidas do devido lastro documental” e sem a observância dos requisitos de segurança exigidos. A apuração realizada constatou que a instituição financeira falhou em apresentar a documentação comprobatória requisitada pela Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão.
Depoimento e Investigações
O depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está agendado para o dia 5 de fevereiro na CPMI do INSS, a pedido do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). O depoimento deverá se restringir aos contratos de crédito consignado firmados entre o banco e os beneficiários do instituto, evitando confrontos com investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
A última notificação ao Banco Master ocorreu após contato com o liquidante no dia 23 de janeiro. Apesar das notificações, o INSS ainda aguarda a entrega completa da documentação exigida. O órgão afirma que a ausência de informações compromete a confiabilidade dos contratos e expõe os beneficiários a possíveis descontos indevidos em seus benefícios.
Críticas e Consequências
O despacho do INSS classifica a situação como crítica, afirmando que a “omissão na apresentação de mais de 250 mil contratos constitui uma falha grave e insanável”. Além disso, a análise de amostras disponíveis identificou documentos genéricos, que não traziam informações básicas como limite de crédito, taxa de juros, forma de pagamento e número de parcelas, violando regras de transparência.
Essa nova frente de investigação se soma à apuração sobre a venda de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões, além da tentativa de venda do Banco Master à instituição estatal, que foi barrada pelo Banco Central no ano passado.
Opinião
A situação do Banco Master levanta preocupações significativas sobre a segurança financeira dos beneficiários e a integridade do sistema de empréstimos consignados no Brasil.





