A Infraero passará por uma reestruturação significativa, conforme anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estatal, que atualmente administra apenas 23 aeroportos regionais e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, deixará de ter participação acionária em grandes aeroportos.
Novos Rumos para a Infraero
A decisão de reestruturar a Infraero está alinhada com a política de concessões iniciada em 2011, quando a participação nos grandes terminais começou a ser transferida para a iniciativa privada. O edital de relicitação do Aeroporto Internacional de Brasília, publicado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), já prevê a venda da participação da Infraero na concessionária Inframerica, impedindo-a de disputar a nova concessão.
O governo planeja investir cerca de R$ 1,2 bilhão até 2037 no aeroporto, o que representa uma nova fase para a gestão aeroportuária no Brasil. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou essa medida como parte da solução para manter o contrato do aeroporto até o novo prazo estabelecido.
Impactos na Estrutura e Funcionários
A Infraero viu seu número de funcionários cair drasticamente de 13 mil para apenas 3,5 mil nos últimos anos, refletindo a redução de sua atuação no setor. Atualmente, apenas 890 estão em atividade direta, enquanto cerca de 2,7 mil estão cedidos a outros órgãos públicos.
Apesar de manter 49% de participação em aeroportos como Guarulhos, Confins e Viracopos, a Infraero enfrenta dificuldades devido à sua condição de acionista minoritária, o que limita sua influência nas decisões. O governo também está negociando a repactuação das concessões de Viracopos e iniciou estudos para vender suas participações nos outros terminais.
Resultados Financeiros e Futuro
Os resultados financeiros da Infraero mostram um impacto direto dessa transformação, com uma queda de R$ 2,488 bilhões no faturamento projetado para 2024, que deve cair para R$ 986 milhões em 2025. Contudo, a estatal reportou um lucro líquido de R$ 316,2 milhões em 2025, revertendo o prejuízo do ano anterior.
Opinião
A reestruturação da Infraero é um passo necessário para adequar a estatal às novas demandas do setor aéreo, mas traz à tona desafios significativos para sua operação futura.





