O Ibovespa acumulou uma queda de 18,12% nesta semana, marcando seu pior desempenho desde março de 2020, quando a crise causada pela covid-19 afetou severamente os mercados financeiros. O principal índice da Bolsa brasileira fechou em baixa de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, após cinco pregões consecutivos de desvalorização.
A queda acentuada ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 25 de outubro, que contrariou as expectativas de muitos investidores que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e em uma possível mudança na condução da política econômica.
Impacto imediato no mercado
No primeiro pregão após a eleição, em 26 de outubro, o Ibovespa despencou 13,88%, a maior queda diária desde março de 2020, levando a B3 a acionar o circuit breaker para conter as oscilações extremas. Nesse dia, a Bolsa perdeu aproximadamente R$ 734 bilhões em valor de mercado.
O desempenho positivo do índice em 2026 também foi severamente afetado, com o ganho acumulado caindo de cerca de 30% para aproximadamente 4%. A queda de 18,12% é a quinta maior desde o início do Plano Real em julho de 1994, conforme dados da consultoria Elos Ayta.
Dólar atinge maior alta semanal
O dólar comercial fechou em R$ 5,444 no dia 30 de outubro, com uma alta de 9,04% na semana, a maior desde outubro de 2008. Durante o pregão, a moeda americana oscilou entre R$ 5,387 e R$ 5,462, refletindo a incerteza no mercado financeiro.
Na segunda-feira (26), o dólar ultrapassou R$ 5,60 durante as negociações, fechando com uma alta de 8,21%, a maior valorização diária desde janeiro de 1999. Em outubro, a moeda acumulou uma alta de aproximadamente 5,2%.
Expectativas e incertezas no cenário econômico
A reação negativa do mercado é amplamente atribuída à preocupação com os rumos da política econômica no novo mandato de Lula. Parte do mercado esperava uma mudança na condução das contas públicas, e a vitória do petista elevou a percepção de risco fiscal.
Além disso, fatores externos, como decisões sobre juros nos Estados Unidos e na Europa, também contribuíram para a volatilidade. O mercado aguarda a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para a próxima semana, com a taxa Selic atualmente em 13,75% ao ano.
Opinião
A turbulência nos mercados reflete a incerteza e a cautela dos investidores diante de um novo cenário político e econômico, que exige atenção redobrada.





