Economia

Banco Central vê Selic em 14,50% e mercado projeta alta de juros em 2027

Banco Central vê Selic em 14,50% e mercado projeta alta de juros em 2027

O estresse no mercado de renda fixa brasileiro aumentou após dados do payroll dos Estados Unidos, que reforçam a possibilidade de aumento de juros na maior economia do mundo. As taxas futuras no Brasil subiram para os níveis mais altos desde abril do ano passado, refletindo a percepção de que o ciclo de cortes da Selic pode ter chegado ao fim.

Taxas do DI em alta

As taxas do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimentos variados registraram significativas altas. A taxa do DI de janeiro de 2027 subiu para 14,43%, a de janeiro de 2028 foi para 14,725%, a de janeiro de 2029 atingiu 14,81% e a de janeiro de 2031 chegou a 14,71%. Esses números refletem uma mudança nas expectativas do mercado, que agora vê uma chance de 62% de que a Selic seja mantida em 14,50% na próxima decisão do Copom, marcada para 17 de junho.

Expectativas de cortes e projeções

O Bank of America projeta que a Selic deve cair para 14,25% até meados de 2027, enquanto o BNP Paribas acredita que o Banco Central pode retomar os cortes em dezembro de 2023. No entanto, ambos os bancos concordam que a continuidade do ciclo de flexibilização é incerta, especialmente diante de riscos inflacionários e fiscais.

Os economistas do Bank of America, liderados por David Beker, indicam que os estímulos fiscais e a situação econômica atual dificultam ajustes necessários à demanda interna. Eles afirmam que o espaço para mais flexibilização é limitado, e a possibilidade de novos cortes se tornou mais complexa.

Opinião

A atual situação do mercado financeiro reflete a incerteza em relação à política monetária do Banco Central, que deve ser atenta às mudanças econômicas globais e locais.