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Greenpeace revela US$ 3,88 bilhões em ouro ilegal na Amazônia e critica inação de Lula

Greenpeace revela US$ 3,88 bilhões em ouro ilegal na Amazônia e critica inação de Lula

Bilhões de dólares em ouro ilegal continuam a ser extraídos da floresta amazônica brasileira, conforme aponta um estudo da organização Greenpeace. Apesar dos esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reprimir essa prática, o problema persiste. Lula, que assumiu o cargo em 2023, prometeu combater a mineração ilegal em terras indígenas e áreas protegidas, após anos de incentivo à atividade durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No ano de 2022, a Polícia Federal apreendeu um recorde de 447 kg de ouro extraído ilegalmente. Contudo, com os preços do ouro atingindo patamares históricos, o estudo do Greenpeace revelou que os mineradores têm utilizado licenças fantasmas para falsificar a origem do ouro extraído.

Licenças e áreas sem atividade

A pesquisa analisou 187 áreas florestais com licenças de mineração de ouro emitidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), próximas a terras indígenas e áreas protegidas na Amazônia. Destas, 98 áreas não apresentaram indícios de atividade mineradora. As licenças dessas áreas foram usadas para justificar a venda de 26,8 toneladas métricas de ouro, avaliadas em cerca de US$ 3,88 bilhões, entre 2018 e março de 2026.

Jornalistas da Reuters sobrevoaram algumas dessas áreas e constataram que, apesar das documentações, não havia atividades visíveis de mineração. Em contraste, a apenas seis minutos de distância, uma grande operação ilegal estava em andamento em uma área protegida.

Território Kayapó e críticas ao governo

Embora não esteja claro de onde vem todo o ouro associado às licenças fantasmas, pesquisadores acreditam que uma parte significativa é extraída de áreas protegidas e terras indígenas, como o território do povo Kayapó, no estado do Pará. O chefe Kayapó, Megaron Txucarramae, expressou sua frustração com a inação do governo, afirmando: “Não sei o que mais é necessário para resolver a mineração ilegal em terras indígenas. Ela destrói a terra, polui os rios e os povos indígenas, sem perceber, acabam comendo peixes envenenados.”

A ANM declarou que está monitorando as licenças denunciadas pelo Greenpeace em busca de irregularidades, ressaltando que a vasta quantidade de licenças emitidas apresenta desafios logísticos e de fiscalização.

Por fim, Danicley Aguiar, porta-voz do Greenpeace Brasil, alertou: “Enquanto for possível lavar ouro usando licenças de mineração, haverá uma expansão dessa atividade na Amazônia.”

Opinião

A situação da mineração ilegal na Amazônia demanda ações mais efetivas e urgentes do governo para proteger tanto o meio ambiente quanto as comunidades indígenas afetadas.