O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva notificou 37 fintechs suspeitas de movimentar dinheiro de bets ilegais no Brasil, estabelecendo um prazo até o fim de agosto para que as instituições interrompam suas operações. Essa ação é parte de uma ofensiva para bloquear os recursos das casas de apostas clandestinas e incorporar os valores aos cofres da União.
As fintechs identificadas realizaram transações para 160 casas de apostas que operam sem autorização no país. Em uma ação paralela, o governo derrubou cerca de 54 mil sites que hospedavam plataformas de apostas irregulares, evidenciando a seriedade da situação.
A receita das apostas no Brasil
As apostas geraram uma receita bruta de R$ 36,9 bilhões no mercado brasileiro no último ano, resultando em uma arrecadação tributária recorde de R$ 9,95 bilhões. O Brasil se consolidou como um dos maiores mercados de apostas do mundo, o que torna as ações do governo ainda mais relevantes.
Notificações e responsabilidades
As notificações foram emitidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, em colaboração com a Receita Federal. As fintechs têm a obrigação de romper qualquer vínculo financeiro com as empresas irregulares e impedir novas movimentações de recursos. Caso não cumpram essa determinação, poderão ser responsabilizadas solidariamente pelas irregularidades e multadas com base no valor total movimentado.
Medidas e consequências
O governo não divulgou os nomes das empresas investigadas, alegando a necessidade de preservar o sigilo das apurações. Em junho, Lula editou um decreto que cria a base legal para o bloqueio dos recursos das bets ilegais, estabelecendo a responsabilidade solidária das instituições financeiras que não cumprirem as determinações.
Até agora, nenhum bloqueio de recursos foi efetivado, pois a Fazenda concedeu um período de adaptação até o final de agosto. A partir dessa data, as notificações deverão ser acompanhadas de pedidos de bloqueio e processos no Ministério da Justiça para apurar possíveis descumprimentos e aplicar sanções.
O cenário das apostas no Brasil
Estimativas oficiais indicam que 40% das bets em operação no Brasil funcionam de forma irregular, atingindo cerca de 25,2 milhões de usuários. Essas empresas não cumprem exigências de publicidade responsável, de recolhimento de impostos e de proteção aos apostadores.
Opinião
A ação do governo é um passo importante para regularizar o setor de apostas e proteger os consumidores, mas será crucial acompanhar a eficácia dessas medidas na prática.





