O Governo Lula tem se posicionado firmemente em defesa da soberania nacional, especialmente em resposta a pressões dos Estados Unidos. No entanto, essa postura contrasta com a crescente influência de facções criminosas que desafiam a autoridade do Estado em diversas regiões do Brasil.
Desde a implementação de uma estratégia voltada para a soberania, o governo enfrentou críticas sobre a capacidade de controlar seu próprio território. Facções criminosas, o garimpo ilegal e outras atividades ilícitas têm se expandido, dominando bairros e cidades. Para o professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado, Vinícius Rodrigues, um Estado soberano deve ter autonomia para definir políticas e a capacidade de exercer autoridade em todo o território nacional.
Desafios na Amazônia e no Rio de Janeiro
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em novembro de 2025, revelam que facções criminosas atuam em 344 dos 772 municípios da Amazônia Legal, representando 45% da região. No Rio de Janeiro, cerca de 4 milhões de pessoas vivem sob controle de facções, limitando o direito de ir e vir.
O Tribunal de Contas da União identificou falhas na política de combate ao crime transnacional, evidenciando a falta de uma estratégia consolidada para enfrentar organizações criminosas. O cientista político Leonardo Barreto ressalta que, para os eleitores, a soberania é mais ameaçada pelo crime interno do que por questões externas, como tarifas.
Avaliação de Lula e a resposta do eleitorado
Apesar das contradições, o discurso de soberania trouxe benefícios políticos temporários ao governo. A avaliação positiva de Lula subiu de 25% para 36% entre abril e julho de 2026, após a crise diplomática com os EUA. Em pesquisa da BTG/Nexus, Lula aparece com 47% e Flávio Bolsonaro com 43% em um possível segundo turno.
A violência e a criminalidade são a principal preocupação de 30% dos eleitores, superando questões como saúde pública e corrupção. O discurso de soberania ressoa especialmente entre eleitores de esquerda, mas seu impacto é limitado entre o eleitorado de centro.
Opinião
A estratégia do governo em usar a soberania como escudo para suas falhas internas pode ter um efeito temporário, mas a crescente insatisfação com a criminalidade pode reverter essa tendência se não houver ações concretas.





