O governo Lula criou, em maio de 2026, o programa Move Brasil com a intenção de destinar R$ 30 bilhões em financiamentos para motoristas de aplicativo e taxistas adquirirem veículos novos. Contudo, após mais de três meses de operação, a iniciativa enfrenta sérios entraves e liberou apenas 13% do valor previsto.
Gerenciado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa tem como objetivo facilitar o acesso ao crédito, permitindo que o financiamento cubra até 100% do valor do automóvel, com taxas de juros limitadas a 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. Apesar disso, o programa ainda não alcançou o sucesso esperado.
Dificuldades e críticas ao programa
Segundo Uallace Moreira, secretário do MDIC, em dois meses, o Move Brasil resultou na venda de 40 mil veículos, com um total de R$ 4 bilhões liberados. No entanto, o governo reconhece que a baixa adesão se deve a fatores como reprovações na análise de crédito e a falta de interesse dos bancos privados. Além disso, o programa foi criticado por favorecer veículos importados, especialmente os chineses.
A Medida Provisória (MP) 1.359/2026, que criou o Move Brasil, visava apoiar trabalhadores de mobilidade urbana, mas a política de crédito subsidiado encontrou obstáculos. O programa começou a operar sem o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que só foi ativado em 2 de julho de 2026, o que gerou insegurança entre instituições financeiras.
Impacto nas finanças dos motoristas
Embora o Move Brasil tenha sido projetado para ajudar motoristas com dificuldades financeiras, a análise de crédito permanece uma barreira. Samuel Barros, professor de Finanças do Ibmec, sugere que o governo poderia ter incentivado a participação de bancos privados e melhorado o acesso ao crédito para motoristas com restrições no CPF.
Com 92% dos motoristas enfrentando restrições em seus CPFs, a maioria da categoria se vê excluída do programa. Eduardo Lima de Souza, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo (Amasp), critica a postura dos bancos e afirma que o governo não dialoga efetivamente com os motoristas.
Expectativas e futuro do Move Brasil
O Move Brasil deve vigorar até 15 de setembro de 2026, mas o baixo interesse e a adesão limitada levantam dúvidas sobre sua eficácia. A iniciativa se assemelha ao programa Voa Brasil, que também teve baixa adesão e não atingiu suas metas.
Opinião
A situação do Move Brasil evidencia a necessidade de um diálogo mais profundo entre o governo e os motoristas, visando soluções que realmente atendam às necessidades da categoria.





