Tecnologia

Google impõe limites à Meta e atrasa projetos de Mark Zuckerberg em meio a crise

Google impõe limites à Meta e atrasa projetos de Mark Zuckerberg em meio a crise

A crise de infraestrutura no setor de inteligência artificial impactou diretamente a operação de duas das maiores empresas de tecnologia do mundo. O Google estabeleceu limites para o uso de seus modelos de IA Gemini pela Meta após a gigante das redes sociais solicitar mais capacidade computacional do que o fornecedor conseguia entregar.

A decisão, comunicada em março de 2023, afetou e atrasou o andamento de projetos internos de desenvolvimento de software e inteligência artificial da companhia comandada por Mark Zuckerberg. As restrições ilustram o cenário de gargalo enfrentado pelo mercado global de IA, onde mesmo investimentos de dezenas de bilhões de dólares em semicondutores e data centers não são suficientes para acompanhar a expansão dos serviços de inferência.

Impactos na operação da Meta

A restrição gerou impactos imediatos na rotina de trabalho da Meta. Diante do teto imposto pelo fornecedor e de uma diretriz corporativa voltada para o controle de custos operacionais com tecnologia, a empresa passou a orientar seus funcionários a utilizarem os tokens de IA — unidades que medem o consumo de processamento dos modelos — de forma mais eficiente.

O CEO do Google, Sundar Pichai, confirmou em conferência com acionistas que a divisão de nuvem opera sob restrições de capacidade no curto prazo, o que impediu o registro de receitas ainda maiores no período. Para tentar mitigar a falta de infraestrutura e atender grandes contas, o Google assinou um acordo de US$ 920 milhões por mês para alugar capacidade dos servidores da SpaceX.

Dependência de terceiros e mudanças estratégicas

A Meta utilizava a tecnologia do Gemini para automatizar seus processos internos de moderação de segurança, incluindo a identificação de golpes e a remoção de conteúdos nocivos nas redes sociais. Os modelos do Google também davam suporte aos chatbots de atendimento ao cliente e de auxílio a anunciantes.

Para reduzir a vulnerabilidade externa e mitigar a dependência de fornecedores concorrentes, a Meta iniciou uma transição interna para priorizar tecnologias proprietárias, com um investimento comprometido de US$ 600 bilhões nos Estados Unidos até 2028. A companhia passou a priorizar o uso de seu novo modelo interno, batizado de Muse Spark, que é visto como mais competitivo frente ao Gemini.

Opinião

A situação revela a crescente tensão no setor de tecnologia, onde a dependência de serviços externos pode comprometer a inovação e a agilidade das empresas.