Em meio às tratativas sobre as taxas de 25% impostas pelos Estados Unidos aos produtos do Brasil, os negociadores brasileiros têm atuado levando em conta que as medidas foram politizadas em um contexto eleitoral. A Casa Branca tem interesse nos resultados do pleito presidencial de outubro de 2026, aqui no Brasil. Ambos os governos seguem negociando um possível acordo comercial.
O Brasil busca convencer os EUA de que um acordo seria mais vantajoso para os países do que as tarifas extras sobre parte dos produtos brasileiros. O tarifaço foi uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que argumenta que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, incluindo ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.
Na última quarta-feira, o perfil do Itamaraty no X publicou a posição do governo brasileiro, afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. O Ministério das Relações Exteriores informou ainda que o Brasil segue atuando por meio dos canais oficiais de interlocução entre os governos para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.
Críticas de Alckmin
Após participar de evento sobre Mercosul-União Europeia em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a tentativa do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, em negociar a questão das tarifas com os EUA. Alckmin afirmou: “Na realidade, são maus brasileiros que trabalharam contra o Brasil e agora estão tentando remediar o que foi feito”.
O prazo para definir a aplicação, ou não, das tarifas, é o dia 15 de julho. O governo brasileiro tem uma agenda de reuniões até lá com os representantes da Casa Branca e acredita que é possível, apesar de difícil, conseguir um acordo com os estadunidenses.
Contexto Político e Econômico
Ao mesmo tempo, existe a percepção de que o governo Trump deve evitar um acordo que possa favorecer o governo brasileiro diante a proximidade das eleições presidenciais. Essa não seria uma negociação estritamente comercial, pois os EUA têm superávit com o Brasil, mas sim uma negociação inserida na nova política de segurança nacional de Donald Trump, publicada em dezembro de 2025, que busca a “proeminência” na América Latina.
Recentemente, Trump compartilhou artigo que afirma que a eleição no Brasil é um dos “grandes testes” dos EUA na América Latina, sugerindo que a saída do “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva favoreceria os interesses da Casa Branca.
O governo brasileiro rebateu os argumentos dos EUA, afirmando que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria a imposição de tarifas adicionais.
Opinião
A situação atual revela como as questões comerciais estão profundamente entrelaçadas com a política, tanto nos EUA quanto no Brasil, afetando diretamente as relações bilaterais.





