Economia

Gabriel Galípolo afirma que aumento do crédito causa superendividamento no Brasil

Gabriel Galípolo afirma que aumento do crédito causa superendividamento no Brasil

Na manhã de 24 de outubro de 2023, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, abordou a questão do superendividamento das famílias brasileiras em um evento da Febraban. Segundo ele, o que realmente impulsionou o aumento do endividamento não foram os juros altos, mas sim a expansão da oferta de crédito promovida pela política oficial.

Galípolo afirmou que “não dá para ficar contente” com o crescimento do crédito e, ao mesmo tempo, reclamar do aumento do endividamento. Ele destacou que a relação entre os juros e o endividamento é inversa: quando a Selic está baixa, o endividamento cresce, enquanto a alta inibe o crédito.

Aumento do crédito e endividamento das famílias

Desde 2020, o saldo do crédito consignado privado saltou de R$ 41 bilhões para R$ 102 bilhões. Além disso, 37 milhões de brasileiros passaram a usar cartão de crédito nesse período, com a inadimplência subindo de 55% para 64,5%.

O presidente do BC apontou que a alta do endividamento foi impulsionada pela bancarização proporcionada pela criação do Pix, juros baixos e programas de crédito durante a pandemia. Ele mencionou que o crédito consignado foi o maior fator de expansão do crédito das famílias.

Necessidade de mudanças na regulação

Galípolo também ressaltou a necessidade de mudanças na regulação do cartão de crédito, que permitiram o crescimento acelerado das operações. Ele observou que a renda comprometida com o cartão passou de 38,5% para 54% e que a inadimplência aumentou significativamente.

Embora tenha reconhecido que o Banco Central está examinando as regras do cartão, Galípolo não forneceu detalhes sobre as medidas a serem adotadas. Ele destacou a necessidade de medidas macroprudenciais e de observar a experiência internacional para garantir uma oferta responsável de crédito.

Opinião

A análise de Gabriel Galípolo traz à tona questões cruciais sobre a relação entre crédito e endividamento, destacando a importância de uma regulação mais eficaz para proteger os consumidores brasileiros.