O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou neste sábado (9) que a Europa quer trabalhar para manter a aliança da Otan em funcionamento, apesar das divergências com os Estados Unidos que a guerra contra o Irã expôs. As tensões entre o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e os aliados europeus da Otan levantaram dúvidas sobre o futuro da aliança.
As tensões já eram elevadas após críticas dos Estados Unidos à Europa por gastos com defesa e por temas como política migratória. Essas tensões aumentaram depois que a Alemanha e outros países europeus se recusaram a apoiar a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que começou no fim de fevereiro.
Unidade de Propósito
“Estamos realmente dispostos a manter essa aliança viva para o futuro”, disse Merz em entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson. Ele destacou a importância da unidade de propósito na Otan e afirmou que Suécia e Finlândia fortaleceram o pilar europeu da aliança.
“Sabemos que existem algumas diferenças. Sabemos que todos estamos enfrentando desafios, mas nosso objetivo final é pôr fim a esse conflito e garantir que o Irã não seja capaz de produzir armas nucleares”, afirmou Merz. “E esse objetivo é comum à América e à Europa.”
Reações e Retiradas
Após Merz afirmar que o Irã estava “humilhando” os Estados Unidos, Trump reagiu ordenando a retirada de 5 mil soldados americanos e cancelou o envio planejado de mísseis Tomahawk de longo alcance. Merz disse que a principal questão não era o número de tropas, mas a “unidade de propósito”, enfatizando que é do interesse dos Estados Unidos ter um componente europeu forte dentro da Otan.
“Continuamos interessados, e muito interessados, em ter o Exército americano e o apoio militar dos Estados Unidos ao nosso lado”, afirmou Merz.
Ameaça da Rússia
Após décadas de negligência, países europeus, incluindo a Alemanha, estão gastando bilhões para reconstruir suas forças armadas diante da ameaça percebida da Rússia. Merz disse em um discurso que a Rússia representa um perigo iminente à Europa.
Falando enquanto o presidente russo Vladimir Putin participava de um desfile em Moscou para marcar a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, Merz expressou sua decepção com a decisão do primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, de comparecer ao evento, afirmando que conversaria com Fico sobre “este dia em Moscou”. No entanto, embora Fico tenha chegado à capital russa, ele afirmou que não participou do desfile em si.
Opinião
A posição de Friedrich Merz revela a complexidade das relações transatlânticas e a necessidade urgente de uma estratégia conjunta diante das ameaças globais.





