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França decide substituir Teams e Zoom por Visio e migrar 200 mil agentes até 2027

França decide substituir Teams e Zoom por Visio e migrar 200 mil agentes até 2027

O governo da França anunciou uma mudança significativa em suas plataformas de videoconferência, optando por substituir soluções americanas como Microsoft Teams e Zoom pelo aplicativo Visio, desenvolvido internamente. Essa decisão faz parte de uma estratégia mais ampla de soberania digital, com o objetivo de migrar 200 mil agentes públicos para o Visio até 2027.

Motivos da Mudança

O ministro delegado encarregado da Função Pública, David Amiel, confirmou a medida, destacando a necessidade de encerrar o uso de ferramentas estrangeiras na administração pública. A iniciativa visa garantir a segurança e a confidencialidade das comunicações eletrônicas, protegendo dados sensíveis de infraestruturas externas.

Visio e Seus Benefícios

O Visio, que já conta com 40 mil usuários regulares, foi criado pela Direção Interministerial do Digital (DINUM) e é hospedado pela Outscale, uma subsidiária da Dassault Systèmes. O sistema possui o selo de segurança SecNumCloud, concedido pela Agência Nacional de Segurança de Sistemas de Informação (ANSSI) da França. Além de garantir a independência de servidores estrangeiros, o software integra tecnologias de inteligência artificial desenvolvidas por startups francesas.

Impacto Financeiro

A transição para o Visio também promete um impacto positivo nas finanças públicas. O governo estima uma economia de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil usuários que deixarem de utilizar licenças pagas de softwares estrangeiros.

Cronograma de Implementação

A transição já tem um cronograma definido. O Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) substituirá suas licenças do Zoom pelo Visio até o final de março de 2026, migrando seus 34 mil agentes e 120 mil pesquisadores associados. Outras entidades, como a Direção Geral das Finanças Públicas e o Ministério das Forças Armadas, também iniciarão a adoção da ferramenta no primeiro trimestre deste ano.

Reações e Contexto

Além de garantir a conformidade com a nova diretriz, o departamento digital do governo francês indicou que poderá bloquear o tráfego de outras ferramentas de vídeo na rede estatal. Essa não é a primeira vez que a França busca reduzir a dependência de grandes empresas de tecnologia. No ano anterior, o governo já havia orientado funcionários públicos a abandonarem o WhatsApp e o Telegram em favor do Tchap, um aplicativo de mensagens exclusivo para servidores.

Opinião

A decisão da França de migrar para o Visio reflete um movimento crescente na Europa em busca de maior soberania digital e proteção de dados, desafiando a hegemonia das Big Techs.