Mais de 3 mil faiscadores e faiscadoras tradicionais da Bacia do Rio Doce disseram ‘sim’ ao Novo Acordo de reparação. A Assembleia, realizada em 28 de abril de 2026, no município de Rio Doce (MG), encerrou um processo de nove meses de diálogo, culminando na aceitação do Anexo 3 da repactuação, que orienta a participação das comunidades afetadas.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em parceria com a Anater e o IPEAD, conduziu este processo. A secretária-executiva adjunta do MDA, Marina Godoi, destacou que essa consulta foi um passo decisivo para garantir que as comunidades possam decidir sobre o uso dos recursos destinados à reparação de danos coletivos decorrentes do rompimento da Barragem de Fundão.
Impacto e Significado do Acordo
Com a aprovação do Sim, as comunidades agora têm a responsabilidade de decidir coletivamente como utilizar os recursos. A gerente extraordinária de Reparação do Rio Doce da Anater/MDA, Adriana Aranha, afirmou que este é o início de um processo de reparação tão esperado pelos faiscadores. “Essas comunidades sempre viveram e trabalharam ao longo do curso do Rio Doce. Foram 10 anos de espera por este momento”, ressaltou.
Para Lino Ângelo da Silva Filho, um dos faiscadores presentes, a decisão traz um alívio significativo. “É como se saísse aquele ar que estava preso no pulmão e a gente não conseguia respirar”, comentou. Outros faiscadores, como Vanilda Aparecida de Castro, também expressaram sua satisfação com o resultado, considerando-o um grande passo após anos de luta.
O Papel das Comunidades Tradicionais
Os faiscadores e faiscadoras do Rio Doce são garimpeiros artesanais tradicionais que extraem ouro manualmente no leito dos rios. Reconhecidos como comunidade tradicional, eles foram severamente afetados pelo rompimento da barragem. O presidente do IPEAD, Fabricio Missio, enfatizou a importância do diálogo durante o processo, destacando que isso fortalece a confiança institucional e respeita as dinâmicas de cada comunidade.
Opinião
A aceitação do Novo Acordo representa um marco na luta por reparação e reconhecimento das comunidades tradicionais, com a esperança de que os recursos sejam utilizados de forma justa e eficaz.





