Economia

Estudo revela que emendas da saúde priorizam infraestrutura em vez de insumos médicos

Estudo revela que emendas da saúde priorizam infraestrutura em vez de insumos médicos

Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) revelou que as emendas parlamentares destinadas à saúde em 2025 financiaram mais cadeiras, computadores e materiais de escritório do que insumos médicos utilizados no atendimento da população. Os dados indicam que 65,7% dos itens adquiridos foram voltados para infraestrutura, enquanto apenas 27,9% corresponderam a equipamentos médicos de baixo custo, como eletrocardiógrafos.

Esse cenário evidencia que uma parte significativa dos recursos foi direcionada à estrutura das unidades de saúde, em detrimento de aparelhos essenciais para médicos e enfermeiros no diagnóstico e acompanhamento dos pacientes. O levantamento, divulgado pela Folha de S. Paulo, destaca que o orçamento do SUS para 2026 atingirá R$ 247,5 bilhões, um aumento de 77% em relação a 2022.

Destinação dos Recursos

Dos R$ 491 milhões destinados à Atenção Primária, R$ 113,9 milhões foram aplicados em infraestrutura, enquanto R$ 58,8 milhões foram utilizados para equipamentos clínicos. A compra de veículos consumiu a maior parte dos recursos, totalizando R$ 263,5 milhões. Essa situação pode impactar diretamente a capacidade de atendimento e a realização de exames nas unidades básicas de saúde.

A especialista em relações institucionais do Ieps, Marcella Semente, ressaltou que a aquisição de veículos absorve mais recursos de emendas do que qualquer outro tipo de equipamento de saúde. Além disso, a pesquisa apontou que cerca de 70% dos municípios brasileiros receberam emendas para investimentos em saúde entre 2023 e 2025, mas a distribuição dos recursos foi desigual.

Desigualdade Regional

Os municípios das regiões Norte (63%) e Nordeste (59%) receberam menos emendas, apesar de serem mais dependentes de repasses da União para serviços básicos. Em contrapartida, cidades do Centro-Oeste (85%), Sul (76%) e Sudeste (73%) receberam mais recursos. A pesquisa sugere que a alocação dos recursos pode ser influenciada por incentivos políticos em vez de eficiência técnica ou equidade.

O Ieps enfatiza que a crescente dependência das emendas para o financiamento do SUS torna essencial que os investimentos sejam planejados com critérios técnicos, focando nas demandas de cada região.

Opinião

Os dados apresentados levantam importantes questões sobre a eficácia e a justiça na distribuição de recursos para a saúde pública no Brasil, destacando a necessidade de um planejamento mais criterioso.