O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma atitude firme ao solicitar providências após o ex-procurador da República Deltan Dallagnol incluir dados bancários e fiscais do magistrado em seu pedido de registro de candidatura ao Senado no Paraná pelo partido Novo.
A solicitação de Zanin foi feita aos presidentes do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do próprio STF. O ministro argumenta que a inclusão dessas informações pode configurar uma violação de sigilo.
Dados sigilosos e Operação Lava-Jato
A situação se agravou após uma reportagem do portal Metrópoles revelar que Deltan anexou ao seu registro de candidatura diversas páginas que continham informações sigilosas do ministro, obtidas pela Operação Lava-Jato do Rio de Janeiro em 2019, as quais foram posteriormente declaradas nulas pela Justiça.
Deltan, que está concorrendo ao Senado, justificou sua ação através das redes sociais, afirmando que sua defesa apresentou à Justiça Eleitoral cópias de procedimentos do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para responder a impugnações de sua candidatura. Entre os documentos estava uma reclamação disciplinar proposta por Cristiano Zanin contra Deltan e outros procuradores.
Defesa de Deltan e reações
A defesa de Deltan alegou que a apresentação integral das reclamações foi feita para não omitir informações relevantes à avaliação do conteúdo do registro. Em nota, eles afirmaram: “Como cada pedido de registro de candidatura toma em conta as informações e provas disponíveis no momento de sua apresentação, os dados são essenciais para a decisão da Justiça Eleitoral. A defesa do candidato jamais teve a intenção de expor dados do então advogado, mas sim de exercer com plenitude o direito político de candidatura, demonstrando cabalmente sua elegibilidade”.
O Valor tentou contato com Deltan Dallagnol por meio de sua assessoria de imprensa, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Opinião
A situação entre Zanin e Deltan levanta questões importantes sobre a ética e a transparência nas candidaturas, evidenciando a necessidade de um debate mais profundo sobre o uso de dados sigilosos em contextos eleitorais.





