Na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, localizada em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, o campo de futebol foi tomado por garotas na tarde da última quarta-feira (21). O evento marcou a abertura do programa Pioneiras nas Escolas, que tem como objetivo levar ex-jogadoras da seleção brasileira a escolas da rede pública. Meninos apenas assistiam da arquibancada.
Mais de 100 alunas participaram da atividade, que incluiu um minitorneio e uma sessão de perguntas com as ex-atletas Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins, conhecidas como Caju, Fia e Pelezinha. As jovens puderam ouvir histórias de superação e os desafios enfrentados pelas jogadoras, que lutaram contra o machismo e o preconceito em uma época em que o futebol feminino foi proibido, de 1941 a 1979.
Histórias de superação
Fia, de 62 anos, compartilhou com as alunas que enfrentou muitos desafios para jogar futebol. “Sempre joguei com meninos e não queria saber de machismo”, afirmou. Ela foi tricampeã continental e participou da primeira Copa do Mundo feminina em 1995, na China. A ex-zagueira Caju, de 60 anos, relembrou o preconceito que sofreu durante sua carreira, que durou de 1988 a 1999, onde conquistou 34 vitórias em 43 jogos.
O programa Pioneiras nas Escolas é coordenado por Duda Luizelli, também ex-jogadora da seleção, que enfatiza a importância da educação para as atletas. “O estudo é fundamental, pois a carreira de atleta é curta”, destacou.
Legado olímpico e futuro do esporte
A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro é parceira do projeto, que se relaciona com a preparação da cidade para a Copa do Mundo feminina de 2027. A escola Juan Antonio Samaranch é um dos 12 Ginásios Experimentais Olímpicos (GEOs) do Rio, oferecendo ensino integral e incentivo a práticas esportivas desde sua classificação em 2012.
A coordenadora de Projetos Integradores da SME, Caroline Guedes, ressaltou que a preparação para a Copa do Mundo é essencial e que o evento é um legado olímpico. Alunas como Letícia Pereira, de 15 anos, consideram um privilégio receber as ex-jogadoras e acreditam que o esporte pode abrir portas para o futuro.
Opinião
O evento na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch é um exemplo inspirador de como o esporte pode transformar vidas e incentivar a igualdade de gênero no Brasil.





