Economia

Empresas de energia renovável suspendem R$ 38,8 bi e avaliam deixar Nordeste

Empresas de energia renovável suspendem R$ 38,8 bi e avaliam deixar Nordeste

Empresas do setor de energia renovável estão considerando migrar do Nordeste, uma região com condições climáticas favoráveis à geração eólica e solar, para outras áreas do Brasil, levando à suspensão de investimentos que somam cerca de R$ 38,8 bilhões entre 2025 e 2026. Este cenário é resultado de uma combinação de fatores, incluindo o lento crescimento da demanda por energia e o curtailment, que é o corte forçado na geração.

Além disso, representantes do setor apontam um aumento recente nos custos de operação, com a perda de vantagens fiscais e o aumento de exigências. O governo federal argumenta que os benefícios fiscais concedidos anteriormente não são mais necessários, pois as energias renováveis já estão consolidadas na matriz energética nacional. A intenção é ajustar a política tributária para evitar que essas vantagens gerem desequilíbrio no sistema energético e encareçam a conta ao consumidor.

Impacto no setor

De acordo com a Absolar e a Abeólica, associações que representam as geradoras de energia solar e eólica, respectivamente, a situação se agravou em 2025, quando 141 usinas devolveram suas outorgas, totalizando R$ 18,9 bilhões. Além disso, houve R$ 5,9 bilhões em investimentos frustrados no último ano e R$ 14 bilhões em investimentos suspensos devido à desaceleração do setor.

A Casa dos Ventos, uma das principais empresas de renováveis do país, admitiu que pode reduzir investimentos no Nordeste e está avaliando redirecionar seus projetos para Mato Grosso e Rio Grande do Sul, que, embora não tenham condições climáticas tão favoráveis, estão mais próximos dos polos consumidores.

Desafios regulatórios

O aumento dos custos de geração é atribuído a dois dispositivos aprovados na Medida Provisória 1304 em 2025, que visavam reorganizar o setor elétrico. A medida criou incentivos para o setor de baterias, mas limitou o acesso ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) apenas para usinas integradas a sistemas de armazenamento, o que, segundo as entidades do setor, prejudicou o investimento.

A Aneel também aprovou, em 2022, resoluções que aumentaram as taxas para geradoras distantes dos polos consumidores, encarecendo o uso da rede para usinas localizadas no Nordeste. A Absolar destacou que isso pode deslocar os projetos fotovoltaicos e aumentar os custos de operação.

Mobilização política e futuro do setor

Diante da insatisfação do setor, um projeto na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal busca derrubar as resoluções que aumentaram as taxas. Além disso, representantes do setor reclamam da lentidão do governo em realizar leilões para contratação de baterias, essenciais para resolver o problema do curtailment.

A situação é preocupante, pois a falta de soluções pode levar à perda de oportunidades de investimento em um país com grande potencial na transição energética. A chegada de data centers poderia impulsionar o setor se abastecidos por fontes renováveis, embora também enfrentem críticas por exigirem grandes quantidades de água.

Opinião

A crise no setor de energia renovável evidencia a necessidade urgente de políticas que incentivem o investimento e garantam a sustentabilidade econômica das usinas, sem comprometer a matriz energética nacional.