O tratamento do câncer de mama pode chegar ao fim, mas a dor nem sempre desaparece. A síndrome dolorosa pós-mastectomia é uma realidade para muitas mulheres que se submetem a esse procedimento, manifestando-se como queimação, choques e formigamento, além de alterações na sensibilidade.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, e a maioria das pacientes passa por cirurgia. Uma revisão sistemática publicada em 2025 no Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery revelou que a prevalência média de dor crônica após mastectomia e reconstrução mamária é de 41,8%.
Quando a dor merece atenção?
O Dr. Jorge Luiz Andrade, médico anestesiologista e especialista em dor, destaca que a dor que persiste por mais de três meses após a cirurgia deve ser avaliada, especialmente se interfere no sono e nas atividades diárias. Além disso, a sensação de queimação ou ardência no tórax, axila ou braço do lado operado pode estar relacionada a alterações nos nervos.
Outros sinais de alerta incluem a dor que se assemelha a choques elétricos ou fisgadas, que são características da dor neuropática, e a dor provocada por um toque leve, que indica alteração na sensibilidade da região. O desconforto que limita a rotina, como dificuldades para dormir ou realizar atividades habituais, também é um sinal que merece investigação.
Tratamento e controle da dor
A dor após a mastectomia não deve ser normalizada. O Dr. Jorge enfatiza a importância de descrever a dor ao médico, informando onde ela ocorre, há quanto tempo e suas características. O cuidado com a dor começa antes da cirurgia, e a anestesiologia desempenha um papel fundamental nesse processo.
A diretriz de prática clínica publicada em janeiro de 2026 na revista Anesthesiology recomenda fortemente o uso de bloqueios de plano fascial para reduzir a dor e a necessidade de opioides nas primeiras 24 horas após a mastectomia, considerando as particularidades de cada paciente.
Opinião
A dor pós-mastectomia é uma questão séria que merece atenção. Buscar ajuda médica é fundamental para garantir uma recuperação adequada e melhorar a qualidade de vida das pacientes.





